Acolhimento: o ato de receber com intenção

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A escola é o primeiro lugar da trajetória de um jovem aprendente, onde ele tem espaço para interagir com pessoas de realidades familiares e quotidianas diferentes das suas. É essencial para o desenvolvimento de suas habilidades socioemocionais, e esse apoio ao seu crescimento pessoal passa pelos momentos de acolhimento, estruturados ou não.

Acolhimento na educação pode dar a impressão de ser um movimento que está vinculado apenas ao primeiro dia de aula, ou, no caso da atual pandemia de coronavírus, importante de ser feito apenas no dia de retorno às aulas, mas como veremos a seguir, acolhimento socioemocional é muito mais do que receber os alunos de uma forma diferente e descontraída.

O quê é esse acolhimento socioemocional?

Se levarmos em conta a ideia básica de acolhimento que é de dar refúgio, abrigo ou proteção, podemos entender que o acolhimento é a criação de um ambiente seguro para quem o acessa, visando, nesse caso, um olhar atento para as necessidades do grupo vinculadas às competências socioemocionais, e amparar os jovens dentro do que eles trazem.

O acolhimento na educação é portanto uma ação pedagógica, com o objetivo de integrar os estudantes entre si e com a escola, fortalecendo a relação entre os envolvidos. Ato esse que está diretamente relacionado às novas diretrizes da BNCC, visando a evolução do ser humano aprendente de forma global.

Quem pode, e deve, ser acolhido?

É fácil imaginar a necessidade de acolher os pequenos do ensino infantil, e quem sabe algumas turmas do fundamental I, mas a realidade é que todas as pessoas envolvidas no ambiente escolar deveriam ser acolhidas de alguma forma, visando o desenvolvimento integral do ambiente educacional.

Vejamos por esse lado, se eu tenho alunos incríveis, de diversas idades, que foram acolhidos e conseguem reconhecer suas cargas emocionais e se relacionar com os outros ao seu redor de forma proficiente e bem estruturada, eles provavelmente vão estranhar se os colaboradores, gestores, e professores do colégio não puderem fazer o mesmo.

O ideal é que possamos ter espaços de acolhimento para todos que frequentam o colégio, inclusive familiares dos nossos estudantes, que influenciam, e muito, o que acontece dentro desse espaço, podendo promover então a integração entre todos esses atores para a criação de um ambiente emocionalmente positivo.

Mas, afinal, como fazer o acolhimento socioemocional?

O principal movimento do acolhimento é a escuta. Dito isto, já aproveito para ressaltar a indispensabilidade de conhecermos e compreendermos a escuta ativa. Mas ainda assim, essa escuta responsável e que conecta não pode ser realizada apenas pelo educador, ou a pessoa que estiver facilitando esse espaço de acolhimento, mas sim por todos os envolvidos nesse momento.

Não apenas por acreditar no equilíbrio de poder como ação fundamental do facilitador, recomendamos que essa escuta seja ensinada e desenvolvida laboriosamente por todos, para que a carga emocional do coletivo não recaia sobre uma pessoa, mas que, na verdade, possa ser acolhida por todos os envolvidos no espaço, potencializando o mesmo.

A troca com seus pares também é fundamental, promovendo conversas em duplas ou grupos pequenos, dando maior possibilidade para que todos possam se expressar, diluindo questões como a introversão e a dificuldade de se expôr em grupos grandes que podem estar presentes em alguns dos envolvidos, aumentando a certeza de que todos serão acolhidos.

Nos utilizando de movimentos que incluem conversas em roda, em grupos menores, e algumas dinâmicas que envolvam a cooperação dentro do grupo, aprofundando as relações entre os envolvidos e o autoconhecimento de cada um sobre o que se passa dentro do seu íntimo, acreditamos que o acolhimento será efetivo, e o grupo sairá desse momento mais próspero e otimizado.

Resumindo, o ser humano processa os acontecimentos e as necessidades geradas por eles através da linguagem. Ter um ambiente seguro para falar sobre o que te aflige ou te alegra é importante para que possamos sintetizar internamente o que nos passa. Com o apoio de colegas, e a possibilidade de observar os acontecimentos de outras perspectivas, ainda potencializamos esse movimento e é isso que propomos.

Ficou em dúvida de como criar esses ambientes de acolhimento, ou como promover o desenvolvimento de uma escola mais atenta às competências socioemocionais? Entre em contato conosco para pensarmos juntos em como chegar lá!

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