Inteligência emocional na construção de um Ambiente Emocional Positivo

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O conceito de inteligência é algo que vem se reinventando na história, e o termo inteligência cognitiva é o que obteve por muito tempo muito destaque. Ela tem como origem a palavra cognição, que é uma importante função psicológica atuante na aquisição do conhecimento e se dá através de alguns processos, como a percepção, a atenção, associação, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem.

Para medir essa inteligência utiliza-se a psicometria, que é a área da psicologia vinculada às ciências exatas e ligada à matemática aplicada e estatística, um olhar quantitativo e por esse motivo facilmente mensurável, quem nunca ouviu falar dos famosos testes de QI –  Quociente de Inteligência?

Curiosidade: a ideia de medir a inteligência não é algo recente, há registro de aplicação de testagens há mais de 2.200 anos no Império Chinês durante a Dinastia Han, com o intuito de criar um sistema imperial de seleção.

Na década de 1980 Howard Gardner afirmou que o conceito de inteligência, como definido em psicometria não era suficiente para descrever a grande variedade de habilidades cognitivas humanas e assim à partir de alguns critérios sua pesquisa identificou e descreveu 7 tipos de inteligência, são elas: Lógico Matemático, Linguística, musical, Espacial, Corporal-Cinestésica, Intrapessoal, Interpessoal, Naturalista e Existencial

Nos anos 1990, a expressão inteligência emocional ganhou o público se tornando tema de livros  best sellers como o famoso  “Inteligência emocional”, de Daniel Goleman, que definiu inteligência emocional como “capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos” e em sua pesquisa categoriza a inteligência emocional em 5 habilidades, 3 intrapessoais e 2 interpessoais.

E o que é que tudo isso tem a ver com a construção de um ambiente emocional positivo? 

Paulo Freire diz em seu livro “Pedagogia para autonomia” que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. 

Nesse caminho acreditamos que para criar a possibilidade para a construção ou produção de conhecimento precisamos de um ambiente emocional positivo, ou seja, propício para o desenvolvimento humano do facilitador/ educador e também dos participantes/ educandos. Essa intenção demanda uma importante habilidade de se colocar emocionalmente envolvido com o projeto, a vivência e cada uma das etapas de cada dinâmica.

Assim para a construção de um ambiente potente, aberto e emocionalmente positivo, além de outros elementos (essa construção transpassa praticamente todos os pilares da metodologia da Electi), é necessário inteligência emocional por parte do facilitador.

Elencamos alguns tópicos, direto do pilar ambiente emocional positivo da metodologia Electi, que têm intenção de transformar a vontade de exercitar esse pilar em uma prática durante as facilitações. 

Gerência de emoções em um ambiente emocional positivo: 

É uma das responsabilidades de ser facilitador e trata-se da habilidade de entender e aceitar pontos de vistas diferentes, buscando se colocar no lugar do outro para melhor compreensão do contexto. Para isso, é sugerido que esse mesmo processo de aceitação e empatia seja feito em relação aos seus próprios sentimentos. Significa aceitar o que se sente e endossar o direito de sentir-se assim e compreender os sentimentos e atitudes do outro

Através do desenvolvimento desses dois itens, aumenta a probabilidade de uma intervenção mais adequada do facilitador perante as emoções do grupo ou indivíduo e garante não ultrapassar o limite emocional daqueles participantes que estão mais sensíveis em determinado momento. 

Ainda assim, crises emocionais sempre podem acontecer. Um facilitador compreensivo, calmo e presente são algumas das chaves para ajudar a pessoa em um momento em que ultrapassou o seu limite emocional.  

Processo de desenvolvimento humano do facilitador em um ambiente emocional positivo: 

É através dos saberes obtidos com os outros pilares que o facilitador encontra os atalhos para conectar-se emocionalmente com aquele grupo e projeto específico. Entendemos que esse processo de conexão é também um dos responsáveis pelo crescimento pessoal do próprio facilitador. 

Assim, torna-se importante assumir as construções e desconstruções internas que o facilitador pode viver em uma facilitação e seus questionamentos que surgem do envolvimento emocional com aquele grupo e/ ou indivíduo específico.

O entendimento sobre as próprias emoções facilita o entendimento sobre as emoções dos outros e possibilita uma facilitação mais completa, através da combinação do entendimento emocional com toda base racional, que um facilitador leva para preparar e conduzir aquele encontro. 

Vale ressaltar que a proposta de conexão emocional pode tornar mais difícil a escolha de uma intervenção adequada para os momentos de facilitação. Assim, o questionamento sobre as zonas de conforto também se aplica para o próprio facilitador.

Processo de desenvolvimento humano do coletivo em um ambiente emocional positivo:

Devido ao forte estímulo positivo e agradável dentro do ambiente, o coletivo se torna cada vez mais próximo e conectado, tornando elos pessoais mais fortes, criando novos e liberando oportunidades para aqueles que não encontravam um local adequado para arriscar e crescer. 

Para além da facilitação/ aula

Fora do ambiente da facilitação ou aula,  existem muitas maneiras de trabalhar a sua inteligência emocional, que ajudarão em diversos cenários da vida e também nessa construção do ambiente emocional positivo diante do grupo. 

Eu, por exemplo, penso em teatro, voluntariado social, terapia, espiritualidade, ioga, e mais um monte. E você, como desenvolve sua inteligência emocional?
Espero que tenha gostado dessa relação da inteligência emocional com a construção de um ambiente emocional positivo e se quiser mais sobre Inteligência emocional na escola, indico esse artigo escrito por nossa redação Electi.

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