As nuances do isolamento social

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A princípio o que seria quarenta dias está se aproximando de um ano, tempos de incertezas, desafios, um convívio familiar intenso em diversos aspectos, aprendizados,  deixar o velho e de ressignificar. Escolas fechadas, ensino a distância, falta de convívio, jornada tripla e mesmo assim é imprescindível lembrar-se que o mais importante desse momento é zelar pela sua saúde mental e física e da sua família.

Este artigo vai trazer experiências e relatos do cotidiano do que estamos vivendo em meio ao isolamento social, e de como a rotina escolar segue entre altos e baixos em meio a pandemia.

Tudo mudando e eu me adaptando

Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou que o surto da doença já era uma pandemia, sabíamos com poucos detalhes quais seriam os próximos passos, como poderíamos nos prevenir e remediar. Sem informações expliquei para as minhas filhas que iríamos enfrentar algo novo, desafiador e que ficaríamos em isolamento social sem sair de casa e ir para escola.

Procurei no dicionário o significado da palavra quarentena, quando tive a ideia de grudar 40 pequenos papéis numa cartolina para trabalhar uma atividade sobre gratidão com elas. Cada dia pegaríamos um papelzinho e lembraríamos de algo bom que tivesse acontecido no nosso dia, 40 dias se passaram e eu fui questionada sobre o que aconteceria agora, quando a escola iria voltar, sobre a morte, sobre política e várias outras perguntas.

As escolas neste momento se mobilizaram para buscar a melhor forma de seguir o ensino,  para atender a demanda dos pais que estavam preocupados tanto com os estudos de seus filhos quanto as mensalidades que pesam no orçamento familiar. E como seguimos em meio a tanta adversidade? 

Pais trabalhando e filhos estudando no mesmo ambiente 

Da noite para o dia não podíamos sair de casa, ir na casa de familiares próximos, nem ver os amigos, abraçar, beijar e assim seguimos. Mãe de duas filhas, profissional e dona de casa já me vi em todo tipo de situação na quarentena, abrindo mão de uma das empresas que trabalhava, dos meus processos internos e assim administrando as emoções de um lar. Isso mesmo, do lar, pois no currículo de uma mãe consta que a energia da casa é a sua própria energia e se isso não for muito bem administrado, cuidado e compartilhado as relações familiares podem colapsar.

Hoje escolas e empresas são divididas apenas entre paredes, visto que pais e filhos dividem  o mesmo ambiente. O desafio está em manter esse ambiente emocionalmente saudável que aproxime as pessoas, e assim como ocorre na relação de pais e escolas este movimento pode se tornar falho quando nos esquecemos que estamos lidando com seres humanos.

Todo este processo que está sendo vivido pode trazer reflexões, aprendizados importantes e mostrar que assim como na facilitação o processo se torna mais importante que o resultado, e que os desafios que estamos vivendo abrem espaço para o autoconhecimento, para conexão conosco e com os nossos próximos. Dessa forma quando decidimos olhar para a escola como parte da comunidade que agrega e busca  oferecer o melhor para nossos filhos, esse processo se torna fluido permitindo um aprendizado mútuo e responsável.

Maternidade e isolamento social 

Esses dias numa reunião de pais e responsáveis em uma escola parceira, um dos pais presente afirmou que sua filha não tem noção do que está vivendo, e compartilhei com ele uma experiência que passei com minha filha que estava chorosa e sofrendo com a ausência dos avós. Na hora ele me questionou como eu tinha certeza do sofrimento, respondi que na escuta, olhava bem nos olhos dela e oferecia meu tempo sem questionar, sem julgar e com muita presença.

A escuta ativa é uma ferramenta potente que utilizamos na facilitação e que pude trazer para o meu dia a dia. Descobrimos que as pessoas estão carentes de espaço de escuta e escuta real (fofinha, como chamamos na Electi).

Não é sempre que conseguimos estrutura emocional para entregarmos o melhor de nós para os nossos filhos ainda mais neste momento de isolamento social, contudo somos os adultos da relação e buscando o que cuida de nós conseguimos estar conectados com nossa essência sendo perfeitos nas nossas próprias imperfeições.

Por aqui, busco entender onde eu posso melhorar, tanto na conexão com as minhas filhas, como nas minhas entregas profissionais, na presença no online e como pleitear mais espaços de escuta nas escolas para os meus alunos. 

E por aí?

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