Cidadania na escola: o quê é e como fazer de acordo com a BNCC?

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A BNCC – Base Nacional Comum Curricular – traz  dentre suas competências uma denominada Responsabilidade e Cidadania, mas quem dentre nós nunca ouviu a máxima que diz que a escola não deve formar alunos, e sim cidadãos para o mundo? Onde está a novidade nessa competência então?

Eu mesmo ouço esse dito desde que me encontrava no ensino fundamental, na época conhecido como ginásio, ainda que na minha opinião, o colégio não olhava para o processo de ensino de cidadania como algo linear, que me acompanharia por toda minha trajetória escolar. Mas tive sim aula de cidadania na escola, e cito mais a frente seu formato.

O quê é cidadania para a BNCC?

“Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários”.

A frase acima foi retirada diretamente do texto de competências da BNCC, produzido pelo Ministério da Educação, e refere-se à competência que estamos aqui discutindo. As palavras chave saltam aos olhos, ficando claro a necessidade de olharmos para o indivíduo como um ser único, responsável por si e pelos outros, incluindo todos os seres vivos do planeta: um ser cooperativo.

Para que cheguemos nesse lugar é importante que seja apresentado aos estudantes alguns pontos, e lhe seja oferecido a possibilidade de se desenvolver em alguns quesitos como:

  • Conhecerem seus direitos como cidadãos e saber se posicionar com relação a eles;
  • Praticarem atividades em grupos e considerarem o bem comum no momento de fazerem suas escolhas;
  • Compreenderem e tomarem consciência dos impactos que suas decisões e ações implicam na sociedade e no seu entorno;
  • Vivenciar e assimilar valores importantes para si e para o coletivo;
  • Desenvolver a liderança e a participação através da criação e atuação em projetos de impacto social.

Como desenvolver cidadania na escola?

Ensinar ou desenvolver o conhecimento de algo através da explicação é muito bom, mas já ficou claro para quem conhece a taxonomia de Bloom que o melhor caminho está mais para o experienciado, praticado e incorporado aos processos cotidianos, possibilitando a análise subsequente dos fatos no sentido de sintetizar os conhecimentos e habilidades adquiridos.

Se cidadania está relacionada diretamente a direitos e deveres do indivíduo, acredito que aqui se faz importante a criação de espaços de experimentação do que seriam esses conceitos. E para isso nada melhor do que ir aumentando gradativamente esse espaço de interação com eles ao longo dos anos.

Um modelo possível de atuação

A formulação de regras e/ou combinados para o convívio com quem e o que me cerca é um primeiro movimento bem interessante de ser feito. Esse movimento, além de explicitar a cidadania, também auxilia na criação de um ambiente emocional positivo; acrescido de um avanço em direção a um bom conjunto de relacionamento, afeto e comprometimento. 

Ainda no Ensino Fundamental I é possível pensar junto dos estudantes quais as bases de convívio que eles consideram importantes para a sua sala de aula. Isso possibilita analisar os meus sentimentos e necessidades, ao mesmo tempo que dou espaço para que os outros também exponham os deles.

Com o decorrer dos anos, e a real proficiência com relação a esse movimento, é possível passar a inserir os estudantes em decisões que envolvam sua turma como um todo junto da coordenação, aumentando o espaço no qual me sinto responsável e com poder para atuar. 

Para isso é necessário que o ambiente de aprendizagem seja compreendido pela direção como um todo, permitindo que a sala de aula seja expandida para toda a dimensão física da escola. Com esse intuito é possível pensarmos na criação de um grêmio estudantil ou organização similar, no qual seja estimulada a relação entre corpo discente e docente da instituição.

O último movimento é o de expandirmos esse espaço para os arredores da escola, bairro, cidade, e quem sabe país! Estimular e acompanhar os estudantes na proposição de projetos de melhoria e/ ou auxílio voltados para além dos muros da nossa escola, é acreditar que o futuro do mundo realmente está na mão desses jovens.

Quando estudava no 1° ano do ensino médio, por exemplo, existia um projeto chamado Ética e Cidadania, que nos levava uma vez a cada quinze dias para acompanhar o trabalho de uma instituição (colégios, ONGs, etc) na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo, nos permitindo nos conectar com o local e fazer a proposição de atividades e melhorias no espaço junto da direção. Tenho certeza que esse projeto me auxiliou a ver o mundo e a mim mesmo com outros olhos, e a ser essa pessoa que lhe escreve hoje.

Com tudo isso posto, vale ressaltar que para trabalharmos os conceitos trazidos pelas competências da BNCC de cidadania na escola como autonomia, responsabilidade e ética, é necessário que os estudantes atuem de forma ativa, buscando compreenderem seus próprios passos para poderem ponderar e repensar suas rotas se necessário. E nada melhor do que ter um bom facilitador de aprendizagem por perto para apoiar eles nessa caminhada.

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