Competências socioemocionais na promoção da Saúde mental

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Não é novidade para ninguém que estamos vivendo uma era de mudanças e que nos traz a necessidade de reformular muitas das premissas que temos e que não se adequam mais ao mundo de hoje. Uma dessas premissas é o cuidado com a “Saúde mental”; tema que está em voga nos tempos atuais.

É um tema que me interessa pela sua subjetividade e ao mesmo tempo, pela necessidade de zelarmos por isso e colocarmos em prática o cuidado com a saúde mental em nós mesmos e nos grupos que estamos inseridos.

Não se tem uma definição oficial de Saúde mental, mas a Organização mundial de Saúde traz que Saúde mental “trata-se de um estado de bem-estar no qual um indivíduo realiza suas próprias habilidades, pode lidar com as tensões normais da vida, pode trabalhar de forma produtiva e é capaz de fazer contribuições à sua comunidade”.

Outro conceito relevante nesse cenário e que dialoga intrinsecamente com saúde mental são as Competências socioemocionais e que neste texto considero a abordagem do “Big Five” (Amabilidade, Abertura à novas experiências, Conscienciosidade, Extroversão e Estabilidade emocional). Para quem se interessar, recomendo a leitura do relatório “Desenvolvimento socioemocional e aprendizado escolar: Uma proposta de mensuração para apoiar políticas públicas” do Instituto Ayrton Senna em parceria com a OCDE.

Competências socioemocionais são uma série de habilidades que podem ser desenvolvidas ao longo da vida e que contribuem para o indivíduo entender suas emoções e se relacionar, de forma saudável, consigo mesmo, com outras pessoas e com o mundo em geral.

Acredito que esses temas ganharam mais força, talvez Saúde mental mais que Competências socioemocionais, durante essa pandemia e está intimamente relacionado com o fato de estarmos em casa por um tempo grande e forçados a estarmos com nós mesmos, a nos olhar de forma mais profunda e íntima; a sentir mais e entender esses sentimentos.

Ao nos confinar sem o outro, estamos vivendo um modelo social dentro de nossas casas, estamos vivendo na regra sem a possibilidade de extravasar com opções sociais, sem aventuras novas, sem arte, e isso nos faz ter que enfrentar o nosso eu interior.

Já está claro a relação entre Saúde mental e competências socioemocionais?

Desenvolver as Competências Socioemocionais na escola, ou seja, nas fases iniciais da vida, contribui para termos solidez nas nossas percepções e ações sociais e emocionais e, consequentemente, para a promoção da saúde mental. 

Além da melhora no rendimento acadêmico, o desenvolvimento dessas competências potencializam nos seres humanos comportamentos sociais mais positivos, menores problemas comportamentais, menor estresse emocional entre outros. Dessa maneira, a aprendizagem socioemocional capacita as crianças, jovens e posteriormente, adultos, para se tornarem mais informados, responsáveis, empáticos, produtivos e mais ativos na sociedade.

Tudo muito lindo, mas e o como?

Uma das abordagens para o desenvolvimento socioemocional na educação é o S.A.F.E – Casels, que propõe que a implementação do trabalho para o as competências socioemocionais seja de forma Sequencial, ou seja, com uma trilha de raciocínio claro e conectado, com começo, meio e fim; Ativos, onde os alunos são protagonistas da ação, como construtor do conhecimento; Focadas, com o intuito de desenvolver determinada competência e não de forma genérica; e Explícitas, que significa que deve estar claro para todos no ambiente de aprendizagem qual é a intenção de determinada ação ou linha de raciocínio.

Neste momento não irei aprofundar o S.A.F.E. Isso será feito em um outro momento. Por hora, a reflexão que essa abordagem nos convida a fazer é como integrar as Competências Socioemocionais no cotidiano escolar.

Algumas práticas como yoga, meditação, exercícios físicos, promoção de conversas significativas com outras pessoas, participar da rotina de casa, participar de projetos sociais, leitura, contação de histórias; tudo isso contribui para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais ao colocar as crianças e jovens para fazerem atividades que as conectem com Amabilidade, Abertura à novas experiências, Conscienciosidade, Extroversão e Estabilidade emocional.

A facilitação, tema já abordado em outro artigo da Electi, ajuda a pensar estratégias que iluminam e potencializam essas experiências na preparação de uma atividade educacional.

Ao construirmos essas atividades contemplando aspectos cognitivos e também socioemocionais, como por exemplo, a empatia (que pode ser desenvolvida intencionalmente) e que contemple o indivíduo na sua integralidade, contribuímos para a formação de pessoas com atitudes positivas em relação a si próprio e ao outro, resposta emocional, autonomia e autodeterminação, percepção apurada da realidade e consciência ambiental e social.

Quem sabe, dessa forma, conseguimos criar um ambiente que respeite e proteja os direitos básicos civis, políticos, socioeconômicos e culturais o que, de acordo com a OMS, é fundamental para a promoção da saúde mental.

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