Como implementar as Competências Socioemocionais?

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Atualmente, muito tem-se falado das Competências Socioemocionais (que podem ter outros nomes), seja no ambiente da educação ou nas organizações do mundo corporativo.

O impacto do desenvolvimento dessas competências para a sociedade pode ser entendido nas palavras de Tonia Casarin: “Imagine um mundo em que todos tivessem habilidade de se colocar no lugar do outro. Em que as pessoas pudessem lidar com as situações que provocam as emoções mais extremas. Um lugar onde todos conheçam a si mesmos, suas limitações e seus pontos fortes, que saibam lidar com as diferenças e que entendam e saibam se adaptar ao contexto onde estão inseridos. Um mundo no qual as pessoas tenham iniciativa, confiem umas nas outras e que queiram ter sucesso na vida”.

Essas aptidões individuais que contribuem para tornar o mundo um lugar extraordinário, fazem parte das Competências Socioemocionais. De forma geral, as Competências Socioemocionais são “capacidades individuais que se manifestam nos modos de pensar, sentir e nos comportamentos ou atitudes para se relacionar consigo mesmo e com os outros, estabelecer objetivos, tomar decisões e enfrentar situações adversas ou novas. Elas podem ser observadas em nosso padrão costumeiro de ação e reação frente a estímulos de ordem pessoal e social”. 

Partindo do entendimento da importância do desenvolvimento dessas competências, este texto visa trazer uma possibilidade de um caminho para a implementação e o desenvolvimento delas nos contextos que estamos inseridos.

Em outro artigo no blog da Electi, fiz menção ao S.A.F.E como uma referência para a implementação de programas de desenvolvimento das Competências Socioemocionais. Esse conceito está presente dentro do estudo “CASEL GUIDE – Effective Social and Emotional Learning   Programs”  que elenca 7 elementos a serem considerados para a implementação das Competências Socioemocionais nas escolas. 

Baseado no SAFE e nas nossas experiências, criamos um ciclo que contribui para o desenvolvimento intencional dessas competências. São eles:

Por onde começar?

O ponto de partida se dá com a escolha de pessoas que farão parte do time responsável por olhar as Competências Socioemocionais dentro do funcionamento da escola. Serão encarregados pela gestão dos projetos sob uma perspectiva analítica – Avaliar, medir e associar com as práticas da escola.

Dado a sensibilidade e subjetividade dessas competências, é importante que esse time seja composto de pessoas com diversos olhares e referências sobre o tema, assim, potencializará a capacidade de pensar nas diferentes necessidades dos grupos (alunos, educadores e instituição).

A segunda fase de implementação é mapear tudo o que já é realizado na instituição, visto que toda escola tem seus fundamentos e valores já aplicados no dia a dia. Sendo assim, mapear quais são as atividades realizadas e que estão alinhadas com o propósito da instituição e seu projeto político pedagógico se faz necessário. Esse mapeamento dará um norte de como o projeto Socioemocional deve ser implementado, além de trazer a intencionalidade, aspecto importante para o desenvolvimento das Competências Socioemocionais 

Com esse projeto político pedagógico definido também é possível analisar quais competências já são realizadas com sucesso e quais são as que necessitam mais foco e assim o grupo da fase 1 poderá intencionalmente criar a estratégia de desenvolvimento de acordo com uma linearidade de prioridades. 

Casel aborda isso ao trazer que a implementação seja de forma sequencial, ou seja, com uma trilha de raciocínio claro e conectado, com começo, meio e fim; Ativos, onde os alunos são protagonistas da ação, como construtor do conhecimento; Focadas, com o intuito de desenvolver determinada competência e não de forma genérica; e Explícitas, que significa que deve estar claro para todos no ambiente de aprendizagem qual é a intenção de determinada ação ou linha de raciocínio. Essa é a terceira fase.

Colocando em prática

Após as fases iniciais estarem muito bem definidas e validadas com todos os envolvidos, chegou a hora de colocar em prática.

Definir um programa estruturado, alinhado com o real propósito da instituição e que seja aplicado de forma diária, fazendo, assim, com que as Competências Socioemocionais sejam interiorizadas por todos e consequentemente aplicadas na realidade de cada um. Assim se forma uma comunidade de pessoas que realmente veem valor no que fazem pois vivenciam tudo isso. 

A última etapa da implementação é a avaliação e medição. Dado a subjetividade do assunto, se torna complexo mensurar resultados de Competências Socioemocionais. Como podemos analisar se uma criança aprendeu conceitos de empatia por exemplo? Como podemos definir seu grau de resiliência? 

O caminho que se tem adotado, é uma avaliação que dura um período maior do que as chamadas provas que medem conhecimentos curriculares e uma variação do que é avaliado a depender de cada estudante e de seus objetivos individuais de desenvolvimento.

Assim, entendemos que a avaliação e medição das Competências Socioemocionais servem mais como um ponto de partida do que como resultado a ser alcançado, pois é mais humano entendermos que uma pessoa precisa desenvolver empatia do que avaliar que ela é emocionalmente instável.

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