Conflito geracional: como usar a diversidade etária de forma construtiva?

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A grande mola propulsora do meu interesse pela educação surgiu quando questionei a minha própria trajetória, começando pela escola onde estudei, os valores, afetos e conflitos dessa época. E é justamente nesse último espectro que vou me debruçar um pouco aqui nesse artigo: no conflito, mais especificamente no conflito geracional (ou intergeracional) e em como podemos ampliar as possibilidades diante de diferentes gerações.

Para falar de conflito geracional vamos falar das gerações. Apesar de limitado a um contorno bem específico, acredito que a ideia de classificar as pessoas em gerações à partir de suas relações, crenças, produções, arte, moral, leis e hábitos, ou seja, à partir da cultura de uma época (recorte de espaço e tempo) nos ajuda a: compreender um pouco mais empaticamente o outro, reconhecer as forças da nossa própria ancestralidade e ter um olhar afetuoso para os que chegaram depois. 

Antes de entrar no conflito geracional, vou apresentar um recorte que diz respeito a quatro gerações dentro de uma mesma era: a pós modernidade, ou como cunhou Zigmunt Bauman em seu livro, a modernidade líquida. Uma era em que a solidez das instituições vão se tornando mais fluidas em um mundo cada vez mais volátil, incerto, complexo e ambíguo. Um movimento irreversível e irrefreável, como podemos acompanhar ao olhar as diferenças entre cada geração.

Baby Boomers

Baby boomers são os que nasceram entre 46 e 64, e o nome se dá pelo repentino aumento da natalidade que alguns países experimentaram depois da 2º guerra. 

Os jovens dessa época tinham perspectivas mais positivas que seus antepassados e ainda estavam muito conectados com instituições sólidas como casamento, família e religião. Como contraponto também é quando surge o movimento hippie. 

Geração X

Geração X são aqueles que nasceram entre 65 e 80, uma geração muito influenciada pela televisão. Quando jovens tiveram um período de movimentos marcados pela rebeldia contra o sistema, como o movimento punk na Inglaterra ou os cara pintadas, contra o governo Collor, aqui no Brasil.

Quando adultos viam no individualismo e na dependência do trabalho valores estruturantes.

Para essa geração as instituições começam a ficar menos sólidas, ou seja, mais fluidas e flexíveis, é a segunda geração a viver a pós-modernidade.

Geração Y ou Millennials

Essa é a minha geração, sou do comecinho da geração Y, de pessoas que nasceram entre 80 e 95. Cresci em um mundo repleto de informações, pautado por temas como camada de ozônio e globalização

Acompanhei uma grande evolução tecnológica, tive meu primeiro celular aos 14 anos e antes disso, meu primeiro computador (um pentium 386) e anos depois a chegada da internet discada.

Meus pais, ambos da geração baby boomers, sempre me deram tudo que precisava em termos materiais e de acessos, em parte por conta das restrições que eles mesmos tiveram em suas juventudes.

As instituições continuam cada vez menos sólidas e as pessoas cada vez mais conectadas. 

Geração Z

Nascidos entre 1995 e 2010 essa é a geração que já, desde que nasceu, tem acesso relativamente fácil à tecnologia e a informação. São os nativos digitais.

Os mais velhos dessa geração enfrentam os desafios de conseguir emprego em uma grande crise econômica mundial que amplifica a desigualdade social. Os mais novos olham para o futuro com desconfiança, pois compreendem a velocidade das mudanças (inclusive nas escolas) enquanto assistem e participam de uma polarização política ideológica e temas como fake news e cyberbullying.

Aplicativos de encontros e paquera refletem também um movimento em que as relações e afetos também perdem solidez e ficam mais fluídos. 

Conflito Geracional ou Intergeracional

O conflito nasce da diferença da leitura, interpretação ou opinião sobre um mesmo objeto. Os conflitos não são sempre, “fatores negativos” a minar a vida coletiva. Em geral contribuem para a manutenção e o crescimento de grupos e coletividades, bem como para reforçar relações interpessoais. 

O conflito geracional nasce, justamente das diferenças culturais, sociais e econômicas entre as gerações. As influências que marcaram o repertório utilizado na construção da hierarquia de valores de cada geração.

Quem nunca ouviu frases como: “meus pais são muito antiquados”; “as crianças de hoje não tem disciplina”; “os jovens não querem trabalhar”; “os professores não me entendem” e muitas outras.

As diferenças e a facilitação

Na Electi, entendemos diversidade como potência. Acreditamos que buscar entender melhor a realidade do outro e as bases da construção do seu sujeito é o que irá permitir que as diferenças e os conflitos se tornem uma força para a construção de um ambiente e uma sociedade melhor. Para isso precisamos ter momentos de troca entre as gerações.

Como usar o conflito geracional de forma construtiva?

Não acredito que exista uma única resposta para essa pergunta, mas trago aqui 2 ferramentas muito poderosas da facilitação que podem ajudar o educador a construir esse ambiente.

A escuta ativa, onde escutamos com interesse e presença o que os educandos trazem. É tão importante que pode mudar, inclusive, o próprio processo de aprendizagem.

A vulnerabilização, que é se colocar como humano falível e imperfeito e assim trazer para o grupo de forma sincera seus desafios, emoções e medos. É uma ferramenta de conexão que permite trazermos também um pouco da nossa realidade e da nossa construção como sujeitos. 

Como paralelo podemos ainda pensar em trocar com as outras gerações utilizando as duas bases da Comunicação Não Violenta ou CNV que diz para nos expressarmos honestamente e escutarmos empaticamente

Espero que tenha gostado desse tema tão presente entre educadores e educandos e caso queira saber mais temas sobre facilitação da aprendizagem e/ou gestão educacional assine nossa newsletter e leia mais artigos por aqui.

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