A humanidade existe com base na cooperação: Como a BNCC enxerga essa competência?

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Se partirmos da afirmação do historiador e escritor Yuval Harari, que nos diz que a capacidade de imaginação e de criar coletivamente é o que permitiu ao Homo Sapiens sobreviver ao longo de milhares de anos, seria uma imensa falha da nossa parte não olharmos com carinho para o desenvolvimento da capacidade de cooperação dos nossos jovens, e a BNCC já percebeu isso.

A BNCC nos apresenta a competência 9 a ser desenvolvida, também conhecida como Empatia e Cooperação, nas palavras como segue:

Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza”

Se buscarmos as palavras-chave deste parágrafo, podemos ver que a BNCC fala basicamente de respeito, diálogo, empatia e cooperação, levando em conta a diversidade contida na nossa malha social.

Onde entra a cooperação nas competências socioemocionais?

Se olharmos com atenção para o Big Five das competências socioemocionais fica fácil de encontrar as mesmas palavras-chave no que chamamos de amabilidade, já que esta refere-se a capacidade de agir de modo cooperativo e não egoísta.

Mas ainda fica uma dúvida: O quê exatamente significa cooperação? De acordo com o dicionário Michaelis, cooperação é o ato de “agir ou trabalhar junto com outro, ou outros, para fim comum”.

Ou seja, basicamente, trabalhar a cooperação com base na BNCC é pedir entregas de trabalho em grupo, certo? Será?

Como apresentar e trabalhar o conceito de cooperação em sala?

Primeiramente, acredito que é de fundamental importância nos basearmos numa educação disruptiva para irmos em direção ao que propõe a BNCC. Seguir o modelo tradicional de carteiras enfileiradas em 90% do tempo em sala de aula, e esperar que os estudantes compreendam o que se espera deles com relação a interação já não faz sentido.

A partir daí, já podemos imaginar que a primeira pessoa a se mostrar mais colaborativa para com as outras pessoas em sala deverá ser o professor facilitador, que deve sempre ser um bom exemplo no qual os estudantes possam se espelhar. Compreender esses dois passos já pode colocar o colégio no caminho para se tornar uma escola inovadora.

Acredito que, para podermos pensar em um movimento de cooperação dentro dos ambientes de aprendizagem, é certo olharmos para alguns dos 8 Pilares da Electi como foco. São eles o equilíbrio de poder e o ambiente emocional positivo, que se complementam no sentido de abrir espaço para interações mais verdadeiras e destituídas de julgamentos.

Todos os espaços e momentos são possíveis de serem trabalhados através da cooperação, seja nas aulas de educação física, de matemática, ou nas aulas de projetos. Seja através de uma dinâmica, onde possamos vivenciar o poder da gravidade e chegar a algum resultado concreto, ou em momentos de conversa em roda para filosofarmos sobre os conceitos da geopolítica.

Necessário mesmo é compreender que se no futuro esses jovens vão trabalhar com solução de problemas e desenvolvimento pessoal e profissional, geralmente dentro dos seus times, seja lá para qual setor se enveredarem, a BNCC está correta ao colocar como necessário que trabalhemos boa parte do tempo com nossos colegas de sala através da cooperação.

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