Onde você e sua escola estão na curva da mudança?

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A curva da mudança é um conceito criado pela Elisabeth Kubler Ross para descrever as fases das reações emocionais em pacientes terminais, enlutados de sua própria morte. Com o passar do tempo os psicólogos incorporaram o conceito para qualquer nova grande mudança na vida das pessoas.

As organizações, diante de um mundo permeado pela mudança e incerteza criaram uma área de estudos ligadas a gestão da mudança, com foco na demanda constante de adaptação usando novas estratégias e processos para efetuar as transições necessárias, sendo a curva da mudança um elemento central.

 Como trouxe no artigo “Tempo de mudanças: como gestores educacionais podem se inspirar em empresas inovadoras?” as empresas inovadoras apresentam conceitos e ideias que podem ajudar também na realidade das escolas. O conceito da curva da mudança é um deles.

O objetivo com esse artigo é trazer um pouco mais de elementos sobre as diferentes fases emocionais que atravessamos diante de mudanças, trazendo consciência sobre o processo e assim, potencialmente ajudando nas tomadas de decisão. 

Esse tema que já era central nas escolas que buscavam inovação se torna imprescindível diante da grande transformação vivida nos tempos de isolamento físico e educação à distância. Tive a oportunidade de ver e ouvir diversas mudanças na educação, à partir de alguns projetos incríveis, porém nunca vi ou vivi algo tão profundo e amplo quanto às mudanças geradas diante dos desafios do isolamento.

Essa mudança é extremamente complexa e envolve muitos agentes. No contexto escolar pode ser observada em diferentes públicos, como os pais que tem que trabalhar na mesma casa que os filhos estudam, ou os diretores e gestores que se veem diante de uma diminuição da receita da escola diante de uma estrutura que inicialmente é a mesma e por fim nos educadores que tiveram que adaptar suas aulas para o ensino online do dia para noite.

Vamos então entender um pouco mais sobre as fases da curva:

Na curva da mudança temos um momento inicial chamado de negação. Nesse estágio fingimos que a mudança não é para gente, que não é real ou que ainda está sendo supervalorizada. Com a realidade do Corona frases como “Isso não vai acontecer”, “Não é tão grave assim”, “em uma semana tudo voltará ao normal” são comuns nesse primeiro momento. 

Depois vem a frustração e nessa fase tendemos a agir com raiva, silenciosamente ou de forma passional mesmo. Quem não ouviu frases como “não aguento mais isso”, “Isso não é justo” ou até mesmo reações impulsivas de agressividade.

A terceira fase é a barganha, onde tentamos negociar ou persuadir para adiar a mudança. Mesmo entendendo que a mudança é inevitável frases como “não podemos postergar isso?” ou  “existe mesmo relevância nesse novo processo?” surgem em reuniões pedagógicas ou correm pelos grupos de WhatsApp.

A quarta é a parte mais profunda da curva, em que bate o desânimo e a depressão. Nesse momento vemos frases como “vou ficar calada na reunião” , “não me importa mais” , “não vou conseguir”  ou até mesmo “não quero mais tentar”.

À partir desse momento a curva começa a mudar sua direção e começamos a aceitar essa nova realidade e contexto. Isso nos permite experimentar novas possibilidades, fazer escolhas e decisões e por fim nos integrarmos à essa novo contexto que nos expande a realidade e nos permite ampliar nossa visão sobre o mundo e sobre nós mesmos. 

Reconheceu esses comportamentos/ frases em você mesmo? 

Que bom, a consciência sobre seu estado emocional é um primeiro passo para entender o seu ciclo de mudança e seguir adiante. Acolher o que se sente e ter o direito de sentir-se assim é na Electi um dos elementos do pilar ambiente emocional positivo na metodologia dos 8 pilares, falamos um pouco mais sobre isso no artigo “Competências socioemocionais na promoção da saúde mental”. Ser empático consigo mesmo e trocar ideia com outras pessoas também são ótimas formas de lidar com esse momento.

Agora preste atenção nas pessoas ao seu redor e suas reações, ao invés de categorizá-los como resistentes ou orgulhosos, vamos entender que cada um tem uma vida diferente, com suas experiências, repertórios, sonhos e medos. Quem sabe assim, com respeito ao tempo e movimento de cada um não conseguimos ajudá-los a também seguir adiante?

A curva da mudança não é linear e vetorial, até a mudança real vamos visitar esses estados como em uma balança e também não existe um padrão de tempo ou de comportamento fixo que seja verdade para todo mundo. A ideia é que com o entendimento do conceito da curva consigamos nos ajudar e ajudar aos próximos a passar pelos estados emocionais de um jeito mais saudável e se possível mais rápido.

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