Educação Disruptiva: mudar de rota é o caminho

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Educação disruptiva é um formato proposto para o futuro da educação, mais conectada e escalável. Mas tão importante como compreender o modelo pelo qual ela se dá, é entender a dinâmica através da qual ela se aplica: um movimento disruptivo, ou seja, a quebra ou descontinuação da inércia na qual estamos.

A disrupção na educação visa seguir a ideia de disrupção cunhada por Clayton Christensen, da Universidade de Harvard, que se baseia em transformar um produto caro, complexo, a que poucas pessoas têm acesso, em algo mais barato e acessível.

Com relação a educação disruptiva fala-se muito em ampliar o acesso, sistematizar a forma como encaminhamos nossos educandos para uma forma ou outra de aprendizagem, e para um tipo ou outro de conteúdo, assim como a disponibilização de conteúdo online.

Mas de que adianta aumentarmos a acessibilidade e reduzirmos o custo sem rompermos com a inércia da educação tradicional, baseada em modelos da era Industrial?

Primeiro precisamos parar de nos apoiar em formatos que já sabemos serem desnecessários e desinteressantes, abrindo espaço para um futuro ainda desconhecido, sem amarras com o passado, como nos propõe a Teoria U.

Quais são as bases da educação disruptiva?

De acordo com José Claudio Securato, a educação disruptiva tem como alicerce a junção das ideias de lifelong learning e heutagogia. Para explicar como elas se conectam e se complementam, é importante entender um pouco do que elas se tratam, certo?

O lifelong learning, numa tradução livre para o português, significa aprendizagem ao longo da vida, e nos traz como conceito fundamental que somos capazes de aproveitar oportunidades de aprendizado em todas as idades, e em diversos contextos, seja num ambiente de aprendizagem, no trabalho ou numa área de lazer.

Já a heutagogia visa conectar os educandos ao conteúdo proposto através de interesses pessoais de cada um, e vinculando ao seu modo de vida, aproximando dessa forma teoria e prática.

Para além dessa ideia apresentada, a heutagogia ainda propõe que o aprendiz tenha controle do seu processo de aprendizagem, entregando na mão dele o desenvolvimento do formato através do qual ele pretende se desenvolver, e buscando na figura do educador um facilitador de aprendizagem, que impulsione a sua trajetória.

Mas afinal, para que lado é a mudança de direção?

A conexão com o futuro muitas vezes está no desenvolvimento de um modelo ideal, pensado e aplicado para o melhor rendimento possível, independente de custos. Se deu assim na corrida espacial, e se dá assim em competições como a Fórmula 1, que dá um forte impulso para o desenvolvimento automotivo ao redor do mundo, como nos explica melhor nesse artigo a queridíssima Cassiana Buosi.

Na educação não há como ser diferente com relação ao sentido para o qual apontamos, já que ele deve ser sempre na direção da excelência. Porém, gostaria de salientar aqui que, no caso da construção de conhecimento, ele não precisa ser mais caro que os modelos tradicionais. De fato, ele tem potencial para ser tão ou mais acessível que o que temos atualmente.

Como ser disruptivo na educação então?

O primeiro passo para uma educação disruptiva é romper com o distanciamento entre aluno e professor, equilibrando o poder, entregando autonomia e oferecendo acompanhamento e acolhimento para os alunos, criando um ambiente emocional positivo, e que vise o desenvolvimento dos seus educandos para a vida, e não para decidirem ainda como crianças e jovens o que farão do restante das suas vidas.

Um segundo passo é entender que os limites de espaço e tempo de uma (sala de) aula não se aplicam ao movimento de aprendizagem dos alunos. Ampliar o alcance dos momentos de criação de conhecimento e consolidação da aprendizagem se faz necessário, tanto ampliando o ambiente de aprendizagem do colégio, como ampliando as vivências para depois do período escolar de forma efetiva.

Se olharmos para o formato de duplo diamante proposto pelo Design Thinking como a nossa trajetória de aprendizado, a educação disruptiva que proponho está em nos utilizarmos do primeiro diamante para apresentar possibilidades para o aprendente poder escolher seus focos, seguido de um momento propositivo do mesmo na abertura do segundo diamante, e sua atuação prática como o momento de prototipação.

O ambiente de aprendizagem tradicional clama por disrupção, e compreender que cada começo de ciclo deve ser um novo momento de reafirmar a autonomia do aluno, para que ele siga sua própria trilha é fundamental para seguirmos em busca do melhor futuro possível. Essa é a educação disruptiva que acredito!

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