Eletivas: um lugar para exercitar a escuta ativa

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Quantas vezes já não nos questionamos o porquê de estarmos estudando uma determinada matéria na escola e não outra? As eletivas abrem essa possibilidade: uma quantidade determinada de aulas no período extracurricular que oferece ao aluno escolher o que quer aprender, seja para se desafiar em algo que gostaria de desenvolver, ou escolher algo que se conecta e gosta muito.

Nesses últimos tempos tem ficado cada vez mais forte para nós a frase clichê “precisa fazer sentido”. Os jovens e adolescentes se conectam com o que para eles faz sentido, quando eles enxergam algo palpável, e que poderão ver os frutos daquilo. Muitos de nós somos assim: não mudaremos um hábito, por exemplo, se não nos conectarmos diretamente com ele.

Eletivas: um olhar para o educando

Para falar do tema “eletivas”, conversei com uma aluna para saber como ela se conectava e entendia o tema. E seguiu assim:

Você vê importância em ter eletivas na sua escola para que possa escolher o que quer estudar? Por que?

“Ter um currículo mais individual me chama atenção. Tudo bem até que tenhamos uma semana estressante na escola, podendo escolher e saber que terei aulas que foram escolhidas por mim (que eu me identifico) sinto mais vontade de participar e me dedicar mais a essas aulas.”

Se sua resposta for sim, você sente uma sensação de autonomia por poder escolher?

“Entendo que sim. Entendo que posso escolher eletivas onde eu só me divertiria, também poderia me divertir e aprender. Peguei uma eletiva que era de matemática, eu não ia bem de matemática e vou pegar esta eletiva para poder me dedicar e me desenvolver. Está então muito ligado à autonomia, o que eu quero para aquele semestre.”

Existe nas eletivas um lance de sair da sua zona de conforto? Você as escolhe pensando nisso?

“Eu entro numa eletiva pensando uma coisa e no final acontece algo surpreendente, tanto positivo como negativo. Já aconteceu também de escolher alguma e não ser boa.

As minhas escolhas de eletivas são geralmente para que eu saia da zona de conforto, consiga desenvolver habilidades e aproveitar”.

Essa aluna também comentou que por ser algo obrigatório, mesmo sendo uma escolha, alguns alunos estão em uma eletiva porque simplesmente tiveram que optar por algo e muitas vezes acabam não aproveitando tanto.

Quando abrimos a possibilidade da escolha conseguimos mostrar que decisões envolvem responsabilidades e consequências. Alunos que escolhem o que querem estudar, sentem-se mais parte do seu contexto escolar e acabam se engajando mais com o tema escolhido e aprendendo algo que poderia ser um desafio para eles.

Dessa forma podemos olhar para as eletivas como uma maneira de aproximação entre alunos e escola, colocando em pauta assuntos importantes que envolvem nosso cotidiano na escola e fora dela, muitas vezes pouco discutidos, mas de grande impacto no desenvolvimento do ambiente escolar.

Aproveito para agradecer nossos alunos que de forma carinhosa promovem um repensar e um replanejar a cada encontro nas eletivas abraçando a autonomia, buscando o  aprendizado  e desenvolvimento próprio e do grupo. Agradeço também à nossa aluna querida que se propôs a responder a todas as perguntas que fizemos.

Gostou desse artigo e quer entender mais sobre eletivas nas escolas, e qual é o papel do educador facilitador dentro delas? Postaremos um artigo que dará continuidade a este tema! Entre em contato conosco para pensarmos juntos em como desenvolver o ambiente escolar a favor da autonomia do aluno.

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