Empatia e facilitação, que relação é essa?

5 minutos para ler

O conceito de empatia pode ser entendido como o ato de se envolver emocionalmente em relação a uma pessoa, a um grupo e a uma cultura. Ou ainda como identificação de um sujeito com outro; quando alguém, através de suas próprias especulações ou sensações, se coloca no lugar de outra pessoa, tentando entendê-la.

Ok, que empatia tem relação com se colocar no lugar do outro já é claro. Mas será possível nos colocarmos no lugar do outro? O que significa se colocar no lugar do outro? É possível ter clareza para si de qual é o sentimento do outro? Quais são as atitudes que contribuem para nos colocarmos no lugar do outro? Ou, em outras palavras, como desenvolver empatia?

Para entender o papel da empatia dentro da facilitação é preciso antes compreender o que pode ser facilitação – Para a Electi, uma das formas de entender facilitação é a arte de extrair um conhecimento do coletivo para o coletivo, respeitando a individualidade de cada um e seu processo de aprendizagem.

Empatia como parte do processo de facilitação

Uma premissa importante da facilitação é a empatia como compreensão das emoções e sentimentos de si próprio e do outro. A partir do momento que temos o entendimento das nossas questões socioemocionais, estamos abertos a nos conectarmos com esses elementos do outro.

Na Electi trazemos algumas das responsabilidades de um facilitador de aprendizagem, sendo um dos cuidados desse facilitador com a consciência de “que as pessoas aprendem de formas diferentes. Enquanto alguns não conseguem estudar sem fazer anotações, outros são apegados à leitura ou à prática com exercícios”.

Assim como os facilitadores são responsáveis por criar um ambiente propício à aquisição de novas informações e, assim, facilitar a aprendizagem, o mesmo acontece com a empatia. Cabe ao facilitador criar experiências durante a facilitação que seja vivenciada e significada de forma única por cada um.

Como desenvolver empatia?

Durante uma facilitação algumas ações contribuem para o desenvolvimento da empatia. Resolvi trazer três dessas ações:

1. Escuta ativa para gerar empatia:

Ao praticarmos a escuta ativa, ou seja, escutar (com todos os sentidos) o que o outro está trazendo é uma das formas de criar empatia. Ao escutar o outro, suas palavras nos tocam, nos geram sentimentos e emoções. De fato, o que sentimos não deve ser exatamente os mesmos sentimentos e emoções do outro, mas nos aproxima do entendimento de que o outro está sendo afetado (positivamente ou não) pelo que está trazendo e o ato de respeitar esses sentimentos e emoções nos aproxima e criamos empatia.

2. Perguntar:

Quando escutamos o outro, não é possível e nem necessário compreender de imediato a totalidade do que está sendo dito. É nesse momento, que perguntar nos aproxima da criação da empatia e do entendimento dos sentimentos e emoções do outro. Escutar nos dá insumo para perguntar. Perguntar é um insumo para o outro falar e consequentemente nos dá mais oportunidade de escutar. Além disso, ao perguntar, mostramos para o outro que estamos interessados no que está sendo dito e assim, criamos um ambiente propício para a troca de experiências e consequentemente, para a empatia.

3. Experiências como promoção de empatia:

Uma das formas de se desenvolver empatia pela facilitação é através das experiências. Para Jorge Larrosa “experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca…”. A conexão entre experiência e empatia se dá justamente no pronome pessoal “nos”. Ou seja, a experiência, só é experiência, quando nos transforma. Quando somos o sujeito dela, vulneráveis e passíveis de transformação.

Compreender esse conceito permite que nos conectamos com o outro não pela compreensão exata daquilo que o outro sente, ou por uma avaliação de como ele poderia sentir-se diferente. Mas sim pela compreensão de que as experiências tocam e transformam cada um a sua única maneira. E, nesse sentido, exercer a empatia aparece como ação de se fazer presente e proporcionar ao outro o espaço e segurança para que se expresse e compreenda a experiência que o transformou.

Observando os três tópicos acima, verificamos que a empatia é um exercício contínuo capaz de calibrar nossas percepções sobre nós mesmos e sobre os outros, ao mesmo tempo que nos oferece uma oportunidade de desenvolvimento constante e diário. Uma das formas de compreender a empatia como elemento da facilitação é considerá-la como processo e não apenas como resultado. Ou seja, desenvolver empatia é mais um convite para a transformação do que um manual a ser seguido. Assim como diversas habilidades, empatia pode ser treinada e desenvolvida.

Você também pode gostar

Deixe um comentário

Comments