Engajamento: Um convite para a educação

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Resumo: O engajamento vem tornando-se cada vez mais um objetivo a ser alcançado pelos diversos agentes educacionais, que se organizam no seguinte ciclo: as lideranças promovem o engajamento da equipe, a equipe promove o engajamento dos estudantes que, em última instância, promovem o engajamento das famílias ao redor do projeto desenhado pela escola. Apesar de considerar frutífero o impacto desse ciclo, é importante mergulhar mais fundo na ideia de engajamento no contexto escolar.

Nesse artigo iremos contextualizar a ideia do engajamento nos processos de aprendizagens e algumas premissas da Electi que tem o objetivo de promover esse engajamento.

Engajamento é uma das palavras que vem ganhando fama, likes e tornando-se prioridade na educação. Isso porque, o engajamento parece ser a porta de entrada para que outros “novos” conceitos, como “sustentabilidade”, “maker”, “socioemocionais”, tenham a sua implementação possível. Mas nem sempre foi assim. 

O engajamento não esteve sempre em alta ou foi considerado objetivo transversal para os agentes educacionais. Há muito tempo acreditamos e implementamos um modelo de educação baseado em controle, punição e recompensa. Um modelo que se refletia e se perpetua até hoje em práticas como a nota, a presença, o sinal e, até mesmo, o castigo. 

Cada vez mais percebemos que essas estratégias estão se tornando obsoletas e ineficientes para cumprirem com os objetivos a que se propõem. A nota não é mais capaz de avaliar, por si própria, o desenvolvimento dos estudantes; a lista de presença já não mede quem está ali de verdade ou apenas fisicamente; o sinal já não avisa que “está na hora de estudar ou de mudar de assunto”; e, definitivamente, o castigo é uma estratégia trágica para quem tem o objetivo de desenvolver seres humanos na perspectiva social e emocional. 

Ao nos darmos conta que todo o modelo de controle, punição e recompensa já não funciona tão bem para uma escola do século XXI, abrimos caminho para novas abordagens. As avaliações agora podem ser por competências, por projetos, por portfólio, dentre tantas outras. O desenvolvimento socioemocional também vem sendo compreendido e tem conquistado seu espaço nos currículos e na formação dos educadores. E a presença, amiga de longa data da nota, também parece renovar-se, a partir da ideia de engajamento. Um engajamento que antecede os outros “novos” aspectos da educação, que aparece como ponto de partida e como abertura necessária para recebermos o restante.  

Como podemos gerar engajamento no processo de aprendizagem?

Para pensar o engajamento pode ser importante compreender um conceito conhecido como Flow, que se refere a um momento em que estamos imersos em alguma atividade e que não percebemos o tempo passar, nem sentimos fadiga ou fome. Ou seja, que estamos completamente envolvidos. 

Apoiados pelo conceito de flow podemos continuar pensando o engajamento a partir de novas perguntas: Como e quando você se sente engajado? Que tipo de experiência faz você estar presente, de verdade, no seu dia a dia? Quais são os elementos, comuns à tais experiências, que fazem você se notar tão envolvido? Podem ser experiências de aprendizagem e também pessoais, recreativas, terapêuticas, divertidas, etc. 

5 Premissas para gerar engajamento: 

Com 7 anos de experiência facilitando processos de aprendizagem no contexto escolar, a Electi teve oportunidade de fazer essa mesma pergunta para educadores, estudantes e lideranças. E essas respostas, somadas a nossa percepção, nos permitiram elencar cinco grupos de premissas quando o objetivo é gerar engajamento. São elas: 

1. Gerou engajamento, pois eu estava fazendo aquilo que eu tinha vontade: 

Trata-se de criar nos currículos, projetos, formações e reuniões itinerários flexíveis e que favoreçam a escolha. Momentos pensados para dar liberdade e mais abertura para facilitadores e também para o grupo. O que está por trás dessa ideia é a possibilidade de substituir a o comando das atividades propostas por convites, múltiplos, que permitem e exigem a escolha autoral de cada indivíduo envolvido.  

2. Gerou engajamento, pois eu estava fazendo aquilo que acreditava: 

Um dos conceitos mais importantes na facilitação de aprendizagem é a afinação dos grupos. Em outras palavras, precisamos ter a compreensão de qual é o propósito do grupo, enquanto um coletivo, e a sua capacidade de contemplar o propósito dos indivíduos dentro dele. Isso quer dizer que a aprendizagem precisa fazer sentido, precisa vir colada a um objetivo que seja próprio para cada indivíduo. 

3. Gerou engajamento, pois eu via muito sentido no resultado que viria depois: 

Precisamos ter a clareza de que a escola é parte do mundo e que o mundo precisa ser parte da escola. Significa trazer um sentido mais objetivo e um tom de realização prática para aquilo que fazemos, alinhado aos conteúdos curriculares. Ou seja, nos sentimos engajados quando estamos fazendo algo que irá gerar um resultado palpável e relevante. 

4. Gerou engajamento, pois eu via muito sentido durante o processo:

Além de um foco no resultado, outro fator de engajamento que aparece é a valorização do percurso de aprendizagem. Ou seja, o processo também deve se preocupar em gerar o engajamento, deve ser de qualidade e envolvente. Assim, deve conter um olhar para a facilitação das relações entre o grupo, entre o grupo e o facilitador, além de uma preocupação com a escolha do tema dos projetos / aulas, das dinâmicas utilizadas, dos materiais, dos espaços e do encadeamento (ou encaixe) de todas essas facetas em uma sequência de atividades (fio-condutor) que faça sentido. 

5.  Gerou engajamento, pois eu estava evoluindo: 

Significa oportunizar ao grupo e aos indivíduos uma percepção daquilo que já foi construído e reservar momentos de celebração e contemplação das conquistas. Bem como clarificar a jornada que vem pela frente e a oportunidade que está aberta para cada um evoluir. Ótima oportunidade para registrar, avaliar e refletir de maneira ampla sobre aquilo que aprendemos e aquilo que ainda queremos aprofundar. 

As 5 premissas que descrevemos não servem como receita de bolo. Não são verdades absolutas e não precisam aparecer juntas em todos os momentos e processos de aprendizagem. Mas são idéias e percepções que consideramos potentes para inspirar as escolas, lideranças e os educadores na difícil missão de gerar engajamento. 
Acreditamos em uma educação feita de pessoas, de reflexões e de ideias. É por isso que escolhemos para a Electi o estudo e a prática complexa do universo da facilitação. Pois a facilitação é o universo de possibilidades colaborativas, criativas, relacionais, emocionais e reflexivas que mais combinam com a educação, em pleno 2020.

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