O poder dos jogos e da Gamificação

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Acumular conhecimento sobre as relações e a natureza humana nos possibilita criar e melhorar as ferramentas comportamentais que temos ao nosso dispor. Sem uma reflexão ética de como usar essas novas capacidades, sem definir uma intenção e um objetivo que seja positivo para o coletivo, podemos acabar criando instrumentos modernos de fuga e opressão.

Novas Tecnologias estão aí, mas como usar elas?

Nosso desafio é aproveitar o desenvolvimento dessas novas tecnologias para atingir um objetivo comum: um mundo com mais liberdade, respeito à diversidade, diminuição da desigualdade de oportunidades e harmonia com o outro e com o ambiente em que estamos inseridos.

Hoje esse artigo irá abordar uma potente ferramenta que é a gamificação.

Mas antes, você sabia que estamos passando pelo maior êxodo da história da humanidade?

Você pode não ter percebido, mas estamos passando pelo maior êxodo da história da humanidade. Sim é verdade! Estamos migrando do mundo real para o mundo virtual. Para termos uma ideia da dimensão desse movimento, são mais de 3 bilhões de horas por semana em todo planeta nas quais as pessoas estão jogando no mundo virtual, em consoles, aparelhos móveis ou computadores.

Somente nos Estados Unidos mais de 183 milhões de pessoas estão jogando online, pelo menos, 13 horas toda semana. No auge da curva mais de 5 milhões jogando, em média, 45 horas por semana só nos Estados Unidos.

Por que isso acontece é algo que tem sido matéria de diversos estudos, mas o motivo mais evidente é que a vida no jogo tem sido percebida como uma vida melhor, na existência real temos que lidar com variáveis quase que infinitas e muitas delas sem controle, algumas nos deixam motivados e alegres e outras podem nos levar a uma tristeza profunda e nos deixar sem energia. 

Às vezes não nos sentimos desafiados em nossa rotina e não enxergamos um propósito. De acordo com Zygmunt Bauman, vivemos tempos “líquidos” onde tudo muda rapidamente e nada é feito para durar. Disso resultam, entre outras questões, a obsessão pelo corpo ideal, o culto às celebridades, o endividamento geral, a paranóia com segurança e até a instabilidade dos relacionamentos amorosos.

É um mundo de incertezas e cada um por si na sua crescente intolerância ao sofrimento.

O poder dos jogos

Já nos jogos uma realidade nova é construída e pensada minuciosamente por uma equipe de especialistas. São designers, programadores e roteiristas que estudam por anos sobre como criar um ambiente adequado para deixar o jogador motivado utilizando várias técnicas diferentes como: competição, colaboração, progressão (subir níveis), reconhecimento, desafios extraordinários entre outras dezenas de técnicas que fazem com que o jogador fique conectado cada vez por mais tempo.

Eles nos dão um contexto de trabalho significativo, a experiência de sermos bem sucedidos, a oportunidade de uma forte conexão social e um sentido, a chance de ser parte de algo maior que nós mesmos.

O jogo tem um papel fundamental em nossas vidas desde a pré-história e há quem use a expressão Homo Ludens para designar nossa espécie. E também é claro a necessidade de fazermos uma reflexão sobre algumas das questões relacionadas aos níveis atuais nessa relação humanos e jogos, afinal precisamos olhar atentamente para o quanto nos conectamos ou nos desconectamos do mundo real jogando por uma parcela tão significativa de nossas vidas.

Se o mundo nos traz bons e maus momentos, não cabe a nós significarmos cada momento e aprendermos também com as dificuldades? Não seria essa migração para o virtual, em parte, uma fuga? 

Não tenho essas respostas, mas sinto que é um equívoco simplesmente negar esse movimento, o fato é que está acontecendo algo gigante e temos que reconhecer o enorme potencial que o jogo e que essas técnicas têm em gerar compromisso, motivação e engajamento. 

Um exemplo desse poder Halo

O jogo Halo conseguiu unir mais de 15 milhões de pessoas em torno de um objetivo épico compartilhado, o de evitar a destruição da raça humana por ataques alienígenas e salvar o mundo.

Mais de 6 mil artigos com dicas (wikis – páginas de conteúdo colaborativas) foram criadas, visualizadas e editadas por cerca de 1,5 milhões de usuários em diversos países para que os jogadores se ajudassem a aperfeiçoar as técnicas e estratégias e um objetivo comum de matar 10 bilhões de alienígenas uniu dezenas de países em torno dessa missão. Uau!

E se usarmos para algo positivo? Ai que entra a gamificação

E se fossemos além do entretenimento e utilizássemos essa força para o mundo real? É possível fazer isso?

A resposta está na gamificação. Gamificar é utilizar um conjunto de ferramentas na realização de um processo que, através de dinâmicas, elementos e desenhos de jogos, motiva ações e comportamentos para uma transformação real que vai além do contexto dos jogos. 

Como toda ferramenta, a Gamificação pode ser utilizada para diversas finalidades

diferentes, empresas já vem há alguns anos usando essas técnicas para engajar funcionários ou motivar clientes, espaços de aprendizagem também utilizam os jogos para disseminar conhecimento.

Será que existem mais formas de usar essa potência para melhorar o mundo? Como usar colaboração, progresso, reconhecimento e outras técnicas de jogos para motivar as pessoas a realizarem, de forma consciente, a aprendizagem e uma transformação positiva no mundo? Será que podemos ter recompensas intrínsecas como um contexto de trabalho significante, a experiência de sermos bem sucedidos, a oportunidade de uma forte conexão social e um sentido na vida real?

Segue a gente nas nossas mídias e continue acompanhando o blog pois iremos escrever mais artigos que nos ajudarão a responder a essas perguntas com dicas práticas de gamificação.

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