Gestão escolar – Uma conversa sobre às ameaças, oportunidades, forças e fraquezas das escolas

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Resumo: Gestão Escolar é uma área de conhecimento fundamental para quem tem como objetivo a transformação da Educação nas nossas escolas. Duas palavras, que há tempos aparecem mais separadas do que juntas, e como consequência dessa separação, geram falta de unicidade e alinhamento entre o universo pedagógico e o universo organizacional: Estratégia, processos e operações das escolas.

Gestores dificilmente falam e, principalmente, escutam todas camadas das demandas pedagógicas do dia a dia. Os pedagogos dificilmente se encantam e incorporam as premissas, os limites e os apertados cronogramas dos gestores. Porém, existe uma palavra e um perfil de pessoa que é capaz de estabelecer as pontes necessárias entre esses dois universos: Os Líderes. Se você já conviveu com um, certamente se lembrou dessa pessoa enquanto lia esse parágrafo. 

Por isso, decidi trazer para o nosso blog, a visão dos líderes educacionais que admiro e acompanho de perto, e as principais reflexões que eles trazem sobre os desafios vividos pelas Gestão Escolar atualmente. 

Gestão Escolar: Uma Conversa com Suzana Ribeiro 

Convidei para essa conversa a Suzana Ribeiro que, entre muitas coisas fantásticas que fez na vida, destaco a que se conecta mais com a Gestão Escolar: Ela foi coordenadora geral do Projeto Âncora que, além do SCFV – Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para crianças em situação de vulnerabilidade social, oferecia também uma escola para essas mesmas crianças, com um legado poderoso.

Minha convidada é uma dessas pessoas que consegue ampliar o meu estado de consciência sobre aquilo que digo e o que faço, só de estar ali, presente, com uma escuta total.

Para essa conversa, decidi fazer quatro perguntas inspiradas na Análise SWOT, uma ferramenta de planejamento estratégico muito utilizada para as organizações compreenderem o cenário futuro e o que fazer com ele. 

Quais são as ameaças, oportunidades, forças e fraquezas das Escolas para enfrentar os desafios do presente?

Na agradável conversa que tive com a Suzana sobre gestão escolar, ela passou por todos esses temas com a profundidade e integralidade de sempre. Mas tomei a liberdade de separar as respostas nos tópicos abaixo e contar, com as minhas palavras, o que aprendi: 

Com quais ameaças as escolas estão convivendo hoje em dia?

  • Desafio Financeiro: Obviamente, a pandemia virou a gestão escolar de cabeça para baixo. E, do ponto de vista financeiro, o que vem pela frente é um desafio inédito que vai exigir flexibilidade e muito diálogo por parte das escolas. Um efeito natural das famílias que tiveram a sua receita diminuída e não conseguem mais pagar a mensalidade integral. 
  • Falta de afeto e de convívio por parte das crianças e dos jovens: Essa sem dúvida é a principal preocupação. Ainda não sabemos exatamente o impacto desse “afastamento” nos próximos anos, mas se as questões emocionais já eram fundamentais antes, elas com certeza precisarão de ainda mais cuidado e atenção das escolas

E quais são as oportunidades que as escolas terão?

  • Unir-se a comunidade escolar: A pandemia é um problema coletivo e a recessão econômica não pode ser diferente. A adversidade só será superada com a união, é tempo das escolas se vulnerabilizarem e se conectarem ainda mais com a sua comunidade, estabelecerem um diálogo sincero e, ao cocriarem as soluções para superar os desafios. Sairão desse momento mais unidas com as suas comunidades e com o senso de pertencimento das famílias muito mais desenvolvido.
  • Avanço no Universo digital: É lógico que o mundo avançou no aspecto digital muito mais rápido por conta da pandemia. Mas a oportunidade aqui está justamente em saber utilizar-se da ferramenta para promover a aprendizagem ativa. Onde os estudantes tem liberdade para pesquisar e descobrir os conteúdos nos ambientes virtuais, dividirem-se em grupos de interesse, com acesso a conteúdos e narrativas mais diversas. Assim, reservarão o espaço do presencial para poderem focar nos seus projetos, nas construções coletivas e no aspecto socioemocional. 

Nesse contexto, quais são os principais pontos fortes que as escolas podem apostar?

  • A comunidade como força motriz: Já foi dito antes: A educação, em essência, promove o encontro e, agora é o que precisamos. Precisamos de mais  diálogo, das assembléias, da participação coletiva, elementos que, historicamente, as escolas tem em seu DNA.Trata-se da  capacidade de escutar as famílias, as pessoas, as demandas do mundo e, assim, propor a construção de um universo mais próspero para as próximas gerações.

Nesse contexto, quais são as principais fragilidades das escolas?

  • Devido ao medo da mudança, perderem o tempo e a ocasião para se reinventarem, que hoje estão sendo oferecidos por esta situação triste e inusitada, que é a pandemia. Perder a oportunidade de enxergar novos caminhos, para encarar o problema e atentar-se a algumas oportunidades de mudança de rumo com destino ao novo, ao que está para nascer. 

E o que eu aprendi nessa conversa sobre gestão escolar com a Suzana?

Aprendi, de novo, que a Suzana é uma dessas lideranças educacionais, capazes de dimensionar os desafios pedagógicos e de gestão que estão presentes, e suficientemente corajosa para se colocar em conjunto para escutar e cocriar os melhores caminhos para superá-los.

E no dia 21/10, teremos um evento imperdível com João Carlos Martins e Andrezza Amorelli, que estão a frente da direção nos Colégios Renascença e Elvira Brandão, para falar sobre o planejamento de 2021 nas escolas. Dois líderes inspiradores e toda uma comunidade de agentes educacionais pensando juntos. A inscrição é gratuita, e é só clicar aqui para ter acesso ao link. Te espero lá!

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