Liderança e facilitação: entendendo a liderança como processo

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A definição de liderança é bem abrangente e varia de acordo com o contexto histórico e cultural de quem a define. Mesmo assim existem muitos cursos e artigos que trazem a liderança sob perspectivas diferentes, entre as mais comuns aborda-se a personalidade do líder, os estilos de liderança e tenho visto o olhar que traz a ideia da liderança situacional.

Todas essas perspectivas são muito interessantes, e entendo que a dialética entre elas podem gerar excelentes reflexões, porém, isso você poderá encontrar em diversas fontes diferentes. Me arrisco aqui a trazer um novo olhar, conectado com esse mundo líquido que vivemos e pelo qual posso adicionar algo um pouco além dos holofotes e com base em um conhecimento empírico que ganhei na Electi, empresa em que trabalho, a visão do Líder Facilitador.

O que é o Mundo VUCA?

Antes de falar sobre liderança ou facilitação em si entendo que é importante olharmos para o nosso contexto atual de mundo e para isso escolhi usar o conceito de mundo VUCA. Sendo VUCA um acrônimo de quatro palavras em inglês, que em suas traduções para o português se tornam: Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo. Esse termo surgiu na década de 90, sendo inicialmente utilizada pelo exército americano, para traduzir a realidade do campo de batalha e aos poucos foi absorvido pelas empresas para refletir sobre a realidade do mundo.

Volátil porque tudo é muito rápido. Tudo muda o tempo todo, com uma frequência intensa e impacto que a gente desconhece. O rádio demorou 38 anos para atingir 50 milhões de usuários, a Internet 4 anos e o Pokémon 22 dias. Incerto porque não temos como fazer previsões precisas sobre o futuro das nossas organizações. Novas questões existenciais surgem como: Para onde vamos e Qual próximo passo? Complexo porque existe uma interdependência de muitos agentes. Vivemos dentro de um sistema, onde uma determinada ação que ocorre em um lugar pode impactar um ponto muito distante do sistema. Passa a ser muito difícil compreender as relações entre as partes e o efeito de causalidade. Ambíguo porque aumenta o número de interpretações para a mesma coisa. Narrativas e meios de comunicação são mais descentralizados e o mesmo fato passa a ter múltiplas maneiras de serem entendido.

Um dos efeitos evidentes do Mundo VUCA está nas organizações, que estão gradativamente mudando sua forma de atuar, enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades, com menos controle e mais confiança, menos centralizados, mais transparentes, mais preocupadas com propósito, mais inovadoras entre outras diversas mudanças de paradigmas. Porém essas respostas não chegam em tempo, potencializando uma série de dores como desmotivação, conflito geracional, turn over alto entre outros. Sem contar ainda nas mudanças geradas pela evolução exponencial da tecnologia digital ao passo que as organizações evoluíram o pensamento de maneira linear.

Pense nos líderes (bons ou não) que você conhece e reflita se diante dessa nova realidade o papel do líder não precisa ser ressignificado.

E por que não um passo a passo que me torne um líder?

Não existe uma solução pronta que te transforme em um líder como dizem alguns cursos ou livros de auto ajuda. Não que eles não sejam úteis ou que não te ajudem no processo, o ponto é que não se pode prometer uma solução pronta e simples para um tema contínuo e complexo.

A liderança envolve o desenvolvimento continuado de uma filosofia moral própria e individual, dentro de um contexto plural e coletivo, por esse motivo é impossível simplificar em passos essa transformação. Além disso não existe um título formal ou selo de qualidade que você adquire ao cumprir determinadas etapas ou ao concluir qualquer curso que seja. A liderança se dá como consequência de uma série de condutas, posturas e principalmente do ato de se conhecer e conscientemente escolher a forma de se relacionar com o outro, de aprender, de escutar e de repetir o processo.

Para nós da Electi, a liderança é um fluxo, um processo, e que existem sim ferramentas e conteúdos, que significados de acordo com o contexto e história de cada um, ajudam a mudar a forma como se dá a sua interação com o outro e com o mundo. Essa abertura, atenção ao outro e consciência nos permite afetar aos outros de uma maneira sensível e verdadeira e a partir dessa rede de relações de afetos que somados à um propósito relevante, nos ajuda a influenciar e potencializar o outro e o grupo. E se, somente se, esse esforço for positivamente reconhecido pelo outro existe aí uma liderança real.

E esse tal de líder facilitador?

A facilitação pode ser compreendida como uma série de propostas de percepções, reflexões e ações que tem como objetivo alcançar uma atitude e postura sensível e estimuladora por parte de um facilitador ao longo de uma vivência ou projeto. É também a nossa capacidade de substituir os pontos de afirmação pela interrogação, de criar um ambiente emocional positivo para todo grupo, considerando fluxos de presença e energia de todos envolvidos no processo. Aumentar o engajamento e responsabilidade das pessoas no processo através de maior equilíbrio do poder nos espaços de trabalho, sendo assim facilitar também é a capacidade de extrair o conteúdo do coletivo para o coletivo.

Em suma, facilitar é estar junto, ciente dos nossos direitos e deveres enquanto líderes, planejando nossos encontros, mas sempre atentos para transformá-los a partir do que surge com cada grupo. É vulnerabilizar-se para criar um relacionamento efetivo e comprometido com cada ser humano que estamos conectados.O conceito da facilitação, segundo a Electi, detém conteúdos e ferramentas que, em última instância, são a melhor resposta para adequação da liderança diante desse novo contexto de mundo. Por isso propomos que todo líder deve se tornar um facilitador.

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