Matérias eletivas nas escolas, o que pensam os educandos?

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No Blog da Electi já escrevemos sobre a importância da autonomia nas escolas e também já falamos sobre o poder da Escuta Ativa no processo de aprendizagem. Resolvemos escrever sobre um caminho interessante que algumas escolas escolheram para trabalhar esses 2 temas: as matérias eletivas

Esse é o segundo artigo sobre matérias eletivas, o primeiro foi escrito a partir da perspectiva do educando de uma escola que apresenta a matéria eletiva como opção, nesse segundo tomamos a liberdade de trazer as nossas reflexões e  interpretações sobre essas falas.

Mas o que são matérias eletivas?

Uma prática já comum em outros países, as eletivas são matérias que são escolhidas pelo próprio educando dentro de uma lista de possibilidades de temas propostos pela escola, educadores e estudantes. Diversificando as experiências e personalizando o currículo com base na identidade e interesses de cada estudante.

O que o educando reconhece e valoriza nas matérias eletivas?

A primeira coisa que os educandos trazem é o fato do currículo ser individual, ou seja, um currículo que respeita a curiosidade, interesse e vontade de cada um, permitindo que seja responsável pela criação de um caminho único. Poder escolher caminhos é também respeitar o tempo, o processo e a individualidade de cada um.

Esse movimento gera identificação com as matérias e isso trás, segundo os educandos, “vontade de participar e mais engajamento”. Ainda segundo eles, “querem aproveitar o encontro”.

Aproveitar está ligado com o Pilar da Electi: Relacionamento, Afeto e Comprometimento, onde trazemos a ideia de que o compromisso e engajamento nasce do entendimento de que aquele processo é importante e do reconhecimento dele como positivo para si, um processo em que se tira proveito, traz benefícios, tem serventia, etc.

Os educandos que puderam passar pela transição de uma aula normal para matéria eletiva também trazem que as eletivas são mais produtivas. Não ficou claro o que querem dizer com “mais produtivas”, mas ouso dizer que é reconhecer sua utilidade prática no desafio de resolver problemas simples e complexos que surgem no dia a dia.

Ao dizerem que nas eletivas eles querem aproveitar mais, que estão mais engajados e  que percebem que a experiência é mais produtiva, os educandos estão também dizendo que a oportunidade de ter matérias eletivas transformam a intenção deles para os encontros, a própria prática e presença durante o encontro e a utilização das competências adquiridas na vida após os encontros.

E a autonomia, tem a ver com matérias eletivas?

Gostariamos de trazer aqui um exemplo prático de uma educanda que trouxe que com a eletiva ela teve que escolher entre matérias em que: só se divertiria; se divertiria e aprenderia algo; ou até matérias em que não se divertiria, mas que ela precisava melhorar, segundo seu próprio entendimento. Isso a fez refletir sobre “até que ponto eu quero e o que eu quero”.

Esse exemplo é muito rico, traz dilemas muito importantes e a necessidade de um olhar inteligente para si mesma, uma possibilidade de acessar e construir sua própria hierarquia de valores se entendendo no mundo e dentro de um contexto específico.

O que eu quero, o que preciso e o que é mais importante para mim nesse momento são perguntas fundamentais na formação de quem somos (e confesso que até hoje me faço essas mesmas perguntas de tempos em tempos, porém, pensar nelas de forma estruturada é algo que só comecei a fazer bem depois de sair da escola). São perguntas que nos ajudam a pensar para onde vamos e de que lugares ocupamos no universo.

Imaginem só: escolher a carreira sem ter se feito essas questões ou mesmo na vida adulta muitos acabam não se fazendo essas perguntas e deixando o exterior conduzir suas vidas suprimindo a potência e beleza do nosso protagonismo em nossos projetos de vidas.

Sobre uma eletiva especial, eletivas de impacto social

Ouvimos também sobre uma eletiva que particularmente gostamos muito, a eletiva que trabalha impacto social. O que os educandos acham?

Primeiro, existe um reconhecimento claro que desenvolver um projeto social é empreender. Entendemos aqui que também existe uma compreensão que os conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias para colocar um projeto social de pé são os mesmos necessários para se empreender outros tipos de projetos, inclusive profissionais.

Outra coisa que foi revelada é que a cada experiência traz uma evolução no jeito de olhar para determinada causa social. Essa fala traz muita esperança, uma vez que entendemos que as desigualdades e preconceitos são frutos da ignorância, simplesmente porque nossa construção se deu distante de outras realidades. Estar aberto e mudar o olhar a partir dessa aproximação é ao mesmo tempo uma possibilidade de se conhecer em novas situações e um desenvolvimento enorme na capacidade de análise crítica do mundo.

Por fim, uma fala muito intensa foi “que é muito bom ter a possibilidade de se colocar para o outro”. São tantas soft skills desenvolvidas a partir dessa imagem: Empatia, Amor ao próximo, Colaboração, Olhar coletivo, e muitas outras competências sociais imprescindíveis para o desenvolvimento da inteligência social do educando.

E o processo?

Para finalizar, a fala de que muitas vezes “entro esperando uma coisa e é diferente, o que no final é positivo”. Entendemos que aqui é reconhecer o processo e suas múltiplas possibilidades de resultados. Algo totalmente conectado com as competências de uma liderança facilitadora diante do nosso mundo VUCA.

Esse artigo trouxe um olhar nosso à partir das falas dos educandos, mas e você, o que acha das matérias eletivas na escola? Quer saber mais sobre eletivas ou outros temas? Continue acompanhando nosso blog ou vamos tomar um café virtual.

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