As cinco etapas para montar uma boa facilitação

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Facilitar pode ser muito simples para um educador com bastante experiência quando lhe entregamos o processo a ser facilitado já pronto, mas se montar a facilitação é parte integrante do processo, e parte primordial por ser o pontapé inicial da mesma, tão importante quanto saber facilitar, é saber criar a trilha que será percorrida por quem será facilitado.

Após a leitura, exploração, aplicação e vivência de diversas teorias de processos facilitados, desenvolvi meu próprio entendimento de quais as bases para que consiga visualizar de forma mais rápida e eficiente qual a formatação da facilitação que quero montar. Podendo então inserir nela as dinâmicas que potencializarão o momento de aplicação.

Divido esse processo em 5 etapas que facilitam a o desenrolar efetivo da minha criação que são: 1) entender os objetivos gerais e específicos do grupo e definir com que estrutura macro trabalhar; 2) fasear essa estrutura macro e distribuir o tempo por essas fases; 3) estruturar um esqueleto básico com essa estrutura; 4) criar e adaptar vivências para os meus propósitos; 5) lapidar o que já está montado.

Por onde começar?

Parte fundamental do processo é compreender quais são os objetivos, tanto o geral quanto os específicos do dia de atividades como um todo, podendo assim escolher uma linha de trabalho que possa ser utilizada. Assim começo a 1° etapa do processo, delimitando e compreendendo de que ponto pretendo sair, e em que ponto gostaria de chegar. 

Diversas teorias norteiam as facilitações, seja a Teoria U, o Design Thinking, Divergência e Convergência, etc; e é importante compreender qual a finalidade de cada uma delas, para que possa então fazer a  seleção de uma linha de raciocínio na sua montagem. 

Por exemplo, eu mesmo acredito muito em um aspecto específico da Teoria U, que traz a necessidade de sensibilização por parte dos participantes sobre o objeto a ser trabalhado nos primeiros momentos da vivência, para que, a partir daí, possa ser feita uma construção potente e coletiva de conhecimento ou projeto sobre esse alicerce já estruturado, baseando parte das minhas facilitações nessa ideia.

Visualizando os movimentos da minha facilitação

Tendo escolhido a estrutura macro sobre a qual vou montar a facilitação, também conhecida como fio condutor do dia, podemos entrar na 2° etapa da criação. É importante fasear essa estrutura, e começar a pensar quanto tempo você possui para cada um dos movimentos que pretende realizar com a turma. 

Nessa parte do processo geralmente busco entender a intenção de cada uma das fases, seja de sensibilização, construção, divergência, emergência, convergência, dentro outras; e compreender se são momentos que requerem mais ou menos energia e presença, mais ou menos tempo de duração, e quais objetivos específicos estou visando com cada um desses movimentos, auxiliando assim a delimitar que tipo de dinâmica eu posso e quero me utilizar naquele momento. Com isso vou entendendo melhor como vai ser dar o fluxo do dia.

Colocando no papel

Com essa grande mistura de ideias e conceitos na cabeça fica difícil dar sequência no processo, e, por isso, inicio a 3° etapa da criação, rascunhando o meu esqueleto de facilitação, visando compreender o que está sendo proposto para que as dinâmicas possam ser inseridas nesse modelo e os tempos e movimentos comecem a se encaixar no papel, ao invés de ter que lidar com essa sobreposição de ideias na minha mente. Abaixo podemos ver um modelo bem simples de esqueleto que pode te ajudar a montar a facilitação:

Criando e adaptando vivências

Inicio então a 4° etapa, e chega a hora de botar à prova a nossa capacidade de criatividade e adaptação. Recorrer ao banco de dinâmicas da Electi é super potente nessa hora, mas dificilmente ele será suficiente para todas as práticas que preciso montar durante todo um ano de facilitações, sendo de fundamental importância a experiência do facilitador nessa hora, nas vivências pelas quais passou ou aplicou, buscando no seu repertório um entendimento mais profundo de o que cada dinâmica se propõe a promover para que, através de um processo de desmembramento e reorganização das ideias, ele consiga conectar os pontos para desenhar a melhor dinâmica possível.

Como exemplo, entendo que a dinâmica de World Café, um clássico mundial da facilitação, propõe, dentre outros objetivos dela, que possamos trocar o máximo possível de informação com todas as pessoas presentes na sala através do seu formato de troca dos indivíduos nos grupos de forma aleatória, e que sentemos sempre com pessoas com as quais ainda não conversamos. 

Com esse entendimento como base, posso pegar esse recorte do World Cafe e montar uma dinâmica de apresentação do grupo; onde os participantes terão que interagir com um número amplificado de pessoas durante a vivência devido ao dinamismo das trocas propostas; construir conhecimento, ou simplesmente gerar um espaço de acolhimento coletivo. O objetivo da dinâmica fica então à minha disposição, e não travada nas instruções tradicionais dela.

Colocando os pingos no I’s

Com toda essa linha de raciocínio já estruturada, é hora de repassar meu esqueleto de facilitação checando se está tudo encaixando e fazendo sentido, o que nos leva para a 5° e última etapa desse processo. 

Lapidando o que deixei sem finalizar pelo caminho, refaço as perguntas e provocações propostas para saber se estão fazendo sentido e se tem a potência que espero delas para cada momento. Ao mesmo tempo que observo com mais atenção o tempo de cada dinâmica, verifico se as explicações estão incluídas no tempo, e se tudo está conectado como esperava que estivesse quando comecei a montar a facilitação que me propus a criar.

Últimos passos, mas não menos importantes, anotar tudo que precisa ser criado em termos de estrutura para que a facilitação esteja pronta, separar os materiais, convidar quem espero que esteja nesse espaço, e aí sim começamos mais um dia de facilitação. Ufa!

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