Através do olhar do educando: exercendo a escuta na educação a distância

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Com a rápida mudança para a aprendizagem online, professores e alunos descobriram que não é fácil trocar um modelo de ensino da noite para o dia. Principalmente com tantas ferramentas para aprender, motivação diária para entreter os alunos e conexão para mantê-los presentes. Fomos conversar com alguns alunos para entender como esta pandemia os afetou e como a escola se colocou e se comunicou com eles em meio a tanta adversidade e desafios.

A pandemia impôs uma velocidade em certos processos no âmbito da educação que fez com que escolas precisassem pensar em outros diversos aspectos que não estavam previstos antes desse período.

Acredito que este tema já tenha trazido muitas reflexões e discussões em diversos ambientes da comunidade escolar: nas casas, nas escolas, nos grupos de pais e mães e entre  os alunos. Os educandos precisaram se adaptar de forma rápida, e junto com essa adaptação veio a preocupação de como seria o ano letivo: Quão efetivo seria o aprendizado cognitivo? Quanto isso poderia afetá-los emocionalmente? Qual deles é o mais importante? 

Investindo em comunicação e competência socioemocional

Ao discutir o assunto da relação entre escola e alunos com educandos de uma instituição particular, as opiniões sobre o estudo a distância durante o isolamento, e o que foi feito  por eles nesse período se divergiram. Alguns estudantes disseram que a escola fez o possível: se comunicou e conversou para ver se precisavam de alguma ajuda, porém outros trouxeram que a escola não os escutou e não fizeram o que realmente eles estavam precisando. 

Essas conversas me fizeram refletir sobre como as relações se dão em nosso dia-a-dia. Na minha visão, alunos, escolas, professores e famílias fazem parte de uma grande comunidade que precisa se olhar, se comunicar e se acolher. São participantes interdependentes da nossa sociedade.

Temos jovens e crianças pedindo para serem escutados, buscando que sua voz chegue mais longe. Enquanto adultos, eu questiono se estamos promovendo lugares seguros de escuta, se temos tempo para falarmos de habilidades socioemocionais sempre visando entregar autonomia, flexibilidade e empatia. Disponibilizando ferramentas e recursos para que esses educandos possam ser melhores seres humanos e adultos no futuro, mas só no futuro ou exatamente agora?

Taxonomia de bloom e sua aplicação no dia-a-dia

A taxonomia de Bloom nos ensina, no aspecto do domínio afetivo, como lidamos com nossos sentimentos e emoções incluindo como (a forma que) os enfrentamos. Além disso, o quanto absorvemos e nos apropriamos dos valores presentes na interação entre educador, educando e os produtos e conceitos dessa interação. Na taxonomia de Bloom, o domínio afetivo encoraja o estudante a não só receber, lembrar e entender a informação, como também a interagir com ela em uma forma pessoal e emocional.

A relação é essa: se não vejo no meu professor alguém que possa me acolher, me encorajar e alguém para dividir conhecimentos, fica desafiador entender que é aquela pessoa que vai me ensinar algo. Lembrei-me de uma frase que tem sido muita falada ultimamente: “Precisa fazer sentido”, infelizmente se não fizer, teremos alunos cada vez menos engajados, sendo cobrados por tirarem notas maravilhosas, porém sem entenderem quais são os sentidos da vida.

Espero que este longo ciclo de aprendizado de pandemia nos tenha trazido reflexões suficientes para acolhermos todos os lados dessa grande comunidade tão importante para nossa sociedade, a educação. E aproveito para agradecer meus queridos alunos que contribuíram e me acolheram para que este artigo pudesse fluir de forma leve.

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