Planejamento em 2021 – A sua escola está preparada para o incerto?

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Empreender um negócio social voltado para educação é um ato de constante planejamento e de voláteis frustrações e alegrias, de aprendizados sólidos e de certezas vulneráveis. E 2020 catapultou essa realidade também para a maior parte das escolas.   

Este artigo é inspirado na experiência de empreender a Electi Educacional e nos 8 anos de experiência ao lado dos mais diversos perfis de colégios e diretores, onde pude vivenciar as escolhas e práticas de cada um na hora de planejar o ano seguinte para suas escolas e comunidades de aprendizagem. 

2020 – Um Nocaute no Planejamento Estático 

Na Metodologia 8 Pilares da Electi, o primeiro pilar chama-se justamente “Planejar, olhar, sentir e Planejar”. Um pilar que nasce da compreensão de que a aprendizagem envolve uma dança constante entre o planejado e o imprevisto, entre a autoria do educador e o momento do grupo, entre um objetivo traçado pelo educador, o momento particular vivido por aquela escola, por cada um dos estudantes e todas as suas camadas e complexidades.

A compreensão de um planejamento vivo e aberto, que dialoga e está aberto ao contexto, é cada vez mais presente nos processos de aprendizagem e nas vivências promovidas com a facilitação. Mas, até o ano passado, esse tipo de abordagem mais ágil e flexível não fazia parte de um planejamento organizacional. Pelo menos não para a maior parte das escolas. 

Estávamos acostumados com apresentações de Power Point’s, palestras de abertura no início do ano letivo e definições cheias de intenções poderosas, mas que distanciavam-se da realidade objetiva das escolas dia após dia, até se acabarem em uma espécie de esquecimento coletivo lá para maio ou junho. No final do ano, o planejamento era retomado para avaliar o trabalho, as pessoas, as conquistas e também planejar o ano seguinte.

Durante os últimos meses vivemos uma outra percepção, a necessidade de planejar em sintonia com a realidade e pressionados por ela. Um processo que, pouco a pouco, trouxe à tona essa percepção de que o melhor planejamento, ou até o único possível, seria abrir-se ao novo, aprender rápido, trabalhar de maneira colaborativa e dialogar muito com clientes, parceiros e fornecedores para tentar garantir a sobrevivência de todos. 

Ano novo, vida nova? Como será o planejamento para 2021?

O ano seguinte promete a continuidade das mudanças e aprendizados. Queremos confiar que as escolas estão mais preparadas para lidar com as mudanças que vieram em 2020, na perspectiva para vacinas e na possibilidade de recuperação econômica. Ao mesmo tempo, parece que compreendemos também a dimensão de que alguns aprendizados não podem ir embora e de que vivemos um tempo onde a única certeza é a incerteza. E, por isso, precisamos de novos recursos, conceitos e reflexões quando decidimos fazer o planejamento do próximo ciclo. 

Em um processo de planejamento mais ágil e flexível, precisa estar contemplada a possibilidade das coisas não ocorrerem da maneira como pensamos. E estar preparado para o incerto significa olhar com mais cuidado para algumas camadas do planejamento como: 

  • Ter um propósito muito claro para todos (objetivos);
  • Uma cultura ligada a esse propósito;
  • Metodologias mais modernas;
  • Uma gestão participativa;
  • Equipe preparada e desenvolvida em competências raras.

Planejar a construção e a consciência de todos sobre o Propósito: 

Quando os objetivos da escola estão claros e são construídos por todos, não é exatamente necessário aguardar as ordens de cima. Um projeto de escola que se conhece e caminha em determinada direção, vivenciará, com mais facilidade, as mudanças como uma alteração de rota, como uma “parada a mais” no caminho ou como um “chegar mais tarde”. Enquanto uma escola fragmentada e sem um objetivo claro provavelmente irá demorar muito mais para se realinhar e escolher um novo destino potencialmente desancorado do seu DNA.

Promover uma cultura organizacional onde as pessoas tem consciência do propósito da organização, de qual etapa desse caminho estão passando e do seu papel e importância em todo esse processo facilita, qualifica, descentraliza e acelera os aprendizados sobre as mudanças e as novas tomadas de decisão.

Planejar uma Gestão Participativa e Equipe Preparada 

A gestão participativa é um modelo que visa garantir maior comprometimento, assertividade e criatividade nas organizações. A gestão participativa envolve práticas como flexibilizar os posicionamentos hierárquicos, ampliar o acesso às informações, melhoria da comunicação interna e do fluxo de comunicação e da liberdade para cada colaborador empreender dentro da própria escola ou empresa. 

O modelo de gestão participativa precisa estar ancorado na construção do propósito, da cultura organizacional e também precisa contar com pessoas que estejam preparadas para lidar com maior autonomia e flexibilidade, enquanto se mantêm focadas em alcançar os resultados e manter as suas atividades base no dia a dia. Para isso, é necessário o desenvolvimento de competências como escuta, flexibilidade cognitiva, pensamento crítico, criatividade, colaboração, comunicação, assertividade, tomada de decisão, etc. 

Planejar a partir de Metodologias mais modernas: 

Os desafios dos cenários incertos que vivemos estão colocando em extinção a construção dos planejamentos estratégicos para 5 anos, 3 anos, 1 ano e dando voz para metodologias que favoreçam os movimentos mais rápidos num ciclo de ação, reflexão e ação. Algumas delas: 

  • Canvas: Freame work e modelo para planejar rápido, desenhar novos projetos e ações, a partir de campos de perguntas essenciais e relacionadas, entre si, para encaminhar e visualizar as melhores decisões e o que precisa ser feito. 
  • OKR’s: Uma metodologia de gestão, que é composta pela formulação de objetivos inspiradores, resultados e indicadores mensuráveis e compartilhados entre todas as áreas e pessoas.
  • BSC – Indicadores Balanceados de Desempenho. Uma metodologia ligada à gestão estratégica e pautada na ideia de que é preciso ocorrer um balanceamento nos indicadores organizacionais e que esses não podem limitar-se aos indicadores financeiros. 

Por onde começar? 

O planejamento precisa começar a partir da escuta. Uma escuta ativa e estruturada com as pessoas da equipe, os parceiros, clientes e fornecedores. Uma escuta capaz de mapear e considerar aquilo que está para emergir internamente na escola, no mundo da educação e na sociedade maior, considerando as variáveis conhecidas ameaças e oportunidades na economia, na política, nas leis e etc.  

Fundamentalmente falamos da escuta de um planejamento vivo, que é um convite para transformação do substantivo planejamento pelo verbo planejar. Trata-se da compreensão de que o constante planejar será cada vez mais importante e que a melhor maneira de nos prepararmos para o incerto é aprender a aceitá-lo e relacionar-se com ele.

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