Um olhar para processos de aprendizagem

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Nos tempos atuais, muito se fala sobre os processos de aprendizagem, aquilo que está envolvido no ato de aprender. Já temos consciência que o aprendizado não envolve apenas a velocidade de raciocínio e capacidade de memória, mas também uma série de competências como motivação, engajamento, lidar com as emoções e outras habilidades relacionadas às competências socioemocionais

Quando falamos de processo de aprendizagem, uma das referências que temos é Jean Piaget (1896-1980), biólogo, psicólogo e epistemológico suíço que propôs a existência de quatro estágios de desenvolvimento cognitivo no ser humano – Inteligência sensório-motora; pré-operatória; operatório concreto e operatório formal (ou abstrato). 

Para Piaget, a interação entre o indivíduo e o ambiente é responsável pela formação do conhecimento humano e a assimilação é o elemento chave dos processos de aprendizagem.

Interação entre indivíduo e ambiente

Ao falar da interação entre indivíduo e ambiente como gerador de conhecimento, se torna necessário refletir e se debruçar sobre essa interação –  Como ela se dá? Qual é o papel de cada um desses agentes nessa interação? Como potencializá-la? A partir da interação, como estimular a assimilação para que o processo de aprendizagem seja um movimento contínuo de desconstrução e construção?

Antes de tentar me aproximar de uma resposta para essas perguntas, vale trazer uma reflexão que tem permeado as conversas sobre processos de aprendizagem e que hoje recebe o nome de “metodologias ativas“. 

As metodologias ativas propõe que o sujeito esteja no centro do processo de aprendizagem, que seja protagonista da aprendizagem e que ele participe de forma ativa do seu aprendizado, e não mais como em um modelo ultrapassado de educação, onde ele é apenas receptor de um conteúdo transmitido por outros.

Já existem diversas teorias e práticas para promover aprendizagem ativa, e que vem ganhando força nesse momento de confinamento. Trago aqui, para além das teorias de aprendizagem que já citei, a ideia da facilitação como um convite para que o indivíduo assuma o centro do seu processo de aprendizagem.

E como trazer o indivíduo para o centro do processo de aprendizagem?

Partindo do pressuposto de que aprender é adquirir novos conhecimentos e novas competências, e que isso leva a uma mudança de comportamento na forma que nos relacionamos com o mundo, ofereço um olhar para a interação entre três elementos que acredito contribuir com o objetivo de trazer o indivíduo para o centro do processo de aprendizagem e que damos o nome de “triângulo de aprendizagem”.

1. Conteúdo:

O conteúdo pode ser entendido como ponto de partida, uma referência no processo de aprendizagem e, até mesmo, como algo que se deseja chegar, atingir ou construir. Vem para explicitar aquilo que queremos externar.

Dentro do processo de aprendizagem, o conteúdo pode ser trabalhado com diversos recursos – leituras, vídeos, apresentações, palestras, entre outros.

Também é possível entender o conteúdo dentro de uma experiência e a partir de uma experiência.

2. Experiência:

Ao criar o fio condutor para um processo de aprendizagem pensamos nas experiências como um solo fértil para que o conteúdo possa brotar e ser colhido pelas pessoas e, ao mesmo tempo, usar as novas sementes para plantar novos conteúdos.

A experiência, por ser aquilo que nos toca e nos transforma, pode traduzir um conteúdo em algo transformador e revelador para nós mesmos que nos faz refletir mais sobre o conteúdo.

Ao passar por uma experiência, o que fica de mais próprio do conteúdo para o indivíduo é o que vai ser incorporado e traduzido para sua realidade e na sua própria prática.

3. Significação:

A significação é onde a experiência e o conteúdo assentam. Essa significação contribui para fixar o aprendizado e criar novas conexões a partir da nossa própria perspectiva (após ter passado pela experiência) e desenvolver novos olhares e pontos de vista à partir do que é trazido pelo outro após passar pela mesma experiência, mas com aprendizados distintos. 

Mesmo tendo apresentado esses três elementos nessa ordem, entendo esse processo de aprendizagem como um organismo vivo, com tudo acontecendo ao mesmo tempo e separados, com suas respectivas responsabilidades.

Ao me engajar na prática desses três elementos, que podem formar um processo de aprendizagem, a facilitação assume o papel de “extrair o conhecimento do coletivo para o coletivo, respeitando cada um e seu processo de significação”.

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