As mudanças de paradigmas do professor facilitador

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Temos cada vez mais clareza que o papel do professor facilitador não é apenas transferir o conhecimento e sim, trabalhar as dimensões que compõem a aprendizagem no contexto escolar. 

Toda discussão sobre o mundo VUCA, que estamos experimentando nas diversas instâncias de nossas vidas, nos leva a refletir sobre as mudanças na área da Educação. Observo uma variedade de debates a respeito de temas como plataformas adaptativas, educação por projetos, ensino bilíngue, educação maker, metodologias ativas entre muitos outros. 

Para além do fato da importância desses temas, meu foco está na mudança de paradigmas e no olhar para aqueles que são agentes das mudanças importantes na educação e para a educação: o professor.

Diante de tantos desafios e transformações na educação, apresento algumas mudanças de paradigmas para o professor facilitador:

Planejar, perceber e replanejar

O que antes se apresentava como planejar e executar, hoje falamos em planejar, perceber e replanejar como um processo cíclico, vivo e em constante transformação. Era comum da prática docente planejar as aulas do ano letivo e executá-las. 

Hoje, no planejamento de uma facilitação, seja para um encontro ou seja para um projeto de longa duração, é importante dedicar um tempo para o perceber. Perceber as informações que aparecem ao longo de uma facilitação e que norteia o professor facilitador para suas próximas ações. Como reflexo deste perceber está o replanejar as próximas ações que caminham em direção ao objetivo do planejamento.

Criatividade

Ken Robinson, autor do TED conhecido mundialmente “Do schools kill creativity?”, acreditava que a criatividade é a habilidade que vai nos permitir viver nesse mundo imprevisível.

O controle dos estudantes, que antes, para o professor, era visto como algo necessário, hoje é imprescindível o olhar para a autonomia e para o desenvolvimento da criatividade

Partindo do pressuposto que a criatividade se desenvolve na relação com o outro, onde recebemos e também damos insumos, que combinados, nos levam a uma nova 

percepção, uma das formas de se desenvolver a criatividade é explorando experiências de trocas entre as pessoas.

Foco no engajamento

A ideia de falar sobre engajamento, ou seja, sobre presença e dedicação, é uma tentativa de trazer um olhar propositivo e não punitivo para este assunto. 

Uma das formas que se tem de “garantir” a presença dos estudantes é através da lista de presença e contagem das faltas. A mudança acontece a partir do momento que focamos em garantir o engajamento do estudante. Não apenas sua presença física.

Para a conquista do engajamento dos estudantes, uma das possibilidades é que o processo de aprendizagem contenha experiências que sejam significativas para eles, um conteúdo que sirva como referência para essas experiências e que contemple, também, um momento de significação, ou seja, de diálogos e construção de novos conhecimentos.

O sensível

O olhar para o sensível apresenta um transição do modelo de controle, punição e recompensa, para um modelo mais sensível, que se traduz pela evolução do nosso olhar para o mundo e para as pessoas levando em consideração as competências socioemocionais

Essa transição representa a mudança de um modelo que valorizava a transmissão de um conteúdo já previsto e a medição da capacidade de armazenamento desses temas, bem como a sua reprodução quase fiel, para um modelo onde o que vale é a sensibilidade para perceber quais são as temáticas necessárias e para criar experiências significativas para o desenvolvimento de conteúdos.

Escutar e perguntar

Antigamente, quando ainda se entendia a comunicação como uma via direta entre um transmissor e um receptor, a oratória era uma das competências mais valorizadas. Era importante saber transmitir o que se pensava e sabia. 

No caso da educação, já entende-se que a ideia de um professor como transmissor de conceitos e estudantes como receptores não funciona mais. Um dos possíveis caminhos para o professor facilitador é, no lugar da oratória, promover o diálogo.

Nesse modelo de diálogo a oratória ganha um outro nível de importância, onde precisamos ser mais assertivos, tornando importante a preocupação com o entendimento do outro à respeito do que falamos. Na criação desse espaço onde o respeito à diversidade deve ser premissa e estimulado, entendendo que o lugar de quem fala mudou e assim, a oratória passa a ser mais empática e envolvente.

Ainda nesse modelo de diálogo, a habilidade de escutar  e perguntar são tão importantes quanto a oratória. Para o professor facilitador conseguir promover diálogos importantes, é necessário saber fazer boas perguntas que estimulem ainda mais a reflexão e que novos conhecimentos possam surgir. 

Se o desejo é fazer perguntas, precisamos escutar. É através da escuta que entendemos o mundo e as pessoas, adquirimos insumos que nos trazem reflexão e que nos possibilita uma leitura diferente deste mundo e destas mesmas pessoas.

O professor facilitador tem a habilidade de fazer perguntas que despertem reflexões e novas leituras de mundo dos estudantes.

Assim, nessa mudança de paradigmas do professor para professor facilitador, cabe honrar o conhecimento e sabedoria de cada professor, valorizando e utilizando seu repertório para uma transição importante para a facilitação e construção do conhecimento, da aprendizagem e do desenvolvimento de competências nas dimensões cognitivas, sociais, físicas, culturais e emocionais.

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