Que tipo de liderança é essa promovida pela Facilitação no ambiente da educação básica?

6 minutos para ler

Sabe aquela máxima “Eu não sei porque tenho que aprender isso! Não vou usar para nada!”? E aquela sensação de impotência e frustração dos educadores frente ao contexto de ensino e aprendizagem contemporâneo? Entenda como a facilitação passa a ser uma ferramenta potente e diferenciada para se construir uma comunidade de sentido e prática na escola.

Nesse artigo falamos um pouco sobre inovação no contexto escolar e por onde começar: estaríamos correndo em círculos? Neste aqui, a proposta é avaliarmos juntos a potência da facilitação e seus benefícios desde a educação básica.

Não é raro ouvirmos dos nossos estudantes frases como “eu não sei porque tenho que aprender esta matéria” ou “ nunca vou usar este conteúdo na vida”. Parte desse discurso tem suas raízes na fragmentação curricular, na distância entre alguns modelos escolares e questões contemporâneas, na desconsideração da singularidade dos alunos em seu processo de aprendizagem, nas práticas educativas pouco participativas. Estes são alguns dos elementos que acabam por contribuir e/ou definir o clima escolar e por afetar o engajamento e pertencimento do jovem à escola. 

Tudo em cima dos educadores. E dos coordenadores. E dos gestores da educação básica. Ou não?

Vale considerarmos também que questões sobre o pertencimento escolar não dizem respeito somente aos estudantes. É comum perceber no discurso de educadores o impacto de um trabalho que pouco investe no coletivo, seja na desmotivação com a estrutura escolar, seja no peso que carregam ao precisar adequar-se urgentemente para uma demanda que ninguém o preparou. 

As experiências de colaboração estão na contramão desse cenário. Culturas escolares verdadeiramente colaborativas, embora sejam altamente desejáveis, ainda são realidades a serem construídas em muitas escolas. Quando dizemos que a educação precisa colocar o estudante no centro do processo de aprendizagem, podemos cometer o deslize de não considerar esse outro ator fundamental: O educador. Se estamos falando de uma aprendizagem ativa e carregada de sentido, estamos falando de algo que só pode ser facilitado por educadores que encontram dentro de si e no ambiente escolar o espaço para para atuarem nessa perspectiva. 

Um ingrediente importante para a instauração de uma cultura colaborativa na escola é cultivar no dia a dia uma comunidade de sentido e autora de suas práticas – ancorada no compartilhamento de concepções, experiências, crenças, princípios, objetivos comuns, comportamentos e práticas pedagógicas – que se constrói na ação participativa e corresponsável de gestores, professores e comunidade escolar na definição dos rumos e rotina das práticas educacionais. Nesse contexto, competências como abertura para aprender consigo mesmo e com os outros, comunicação, pensamento crítico, empatia e criatividade são chaves para o estabelecimento de uma cultura de trabalho colaborativo.

Teorias sobre colaboração são bem-vindas. Mas como se da a facilitação delas no contexto escolar?

Como pode-se desenvolver estas competências e instaurar um clima de colaboração e autoria na escola na prática? 

A Electi entende que facilitação – compreendida como a arte de extrair o conhecimento e o aprendizado do coletivo para o coletivo, respeitando o processo de significação e aprendizado de cada um – se mostra uma ferramenta aliada e poderosa para liderar e ensinar pessoas. Ao trabalhar com perguntas poderosas, estímulo ao diálogo, escuta empática, leitura de grupos, ambiente emocional positivo, equilíbrio de poder, fluxo de energia e atividades que mobilizem as pessoas a refletirem e criarem as próprias respostas, a facilitação possibilita a construção de espaços de protagonismo, capazes de aflorar o potencial de cada ator do contexto escolar, fomentando o clima de colaboração, co-criação, engajamento, e aprendizagem ativa e em rede. 

“A facilitação tem muita relação com um modelo de liderança e tomada de decisões mais horizontal e participativo, onde cada membro é visto como parte fundamental para o que está sendo proposto e construído – Onde cada um percebe seu valor no todo com facilidade.”

Além de liderar e gerir pessoas e grupos, a facilitação pode ser utilizada no contexto de co-construção e co-autoria. Por meio da facilitação é possível fazer com que os problemas da realidade escolar sejam identificados, debatidos e solucionados no coletivo, com muito mais chance de um projeto dar certo, pois é algo que parte do próprio grupo, que por consequência estará mais engajado para que os objetivos sejam atingidos. 

Benefícios da facilitação no ambiente da educação básica

Em suma, a facilitação pode estar a serviço dos gestores escolares para:

  • Realização de encontros e reuniões com familiares e comunidade escolar;
  • Encontros de planejamento;
  • Momentos de tomada de decisão participativos com equipe escolar;
  • Apoiar a construção de projetos, práticas e rotinas internas de forma mais significativa;
  • Propiciar momentos de estudo, formação continuada e em serviço docente mais estimulantes.

Em sala de aula a facilitação surge como uma alternativa à aula expositiva tradicional.

O Educador-facilitador possui ferramentas e técnicas para criar aulas mais dinâmicas, pautadas no desenvolvimento de múltiplas habilidades e metacognição, centradas na criatividade, na colaboração e na capacidade de resolução de problemas complexos, na perspectiva da construção do conhecimento significativo e contextualizado, pautadas na problematização e interação entre pares. A facilitação em sala de aula possibilita que o estudante se engaje mais e também seja mais proativo no seu processo de aprendizagem.

Na prática, a Electi entende que a facilitação pode pautar a atuação de diversos atores da escola, níveis e esferas de atuação, como uma grande aliada na construção de uma comunidade de sentido e práticas, possibilitando aos envolvidos no processo o desenvolvimento tanto cognitivo quanto Socioemocional – afinal se queremos formar alunos criativos, abertos ao novo, que pensem criticamente, sejam colaborativos, responsáveis, empáticos, resolvedores de problemas e protagonistas de sua aprendizagem; professores e gestores, por homologia de processos, também precisam vivenciar experiências colaborativas intencionalmente pensadas para poderem se desenvolver e assim desenvolver seus alunos. 

E você, como pensa em formar uma comunidade de sentido e prática na escola? A facilitação pode ser um diferencial neste movimento!

Vamos trocar juntos sobre como a facilitação no ambiente escolar transforma? Leve uma roda de conversa Electi para sua escola – sem dúvida muitas boas ideias coletivas surgirão a partir desta simples iniciativa! 

Artigo produzido por Juliana Santos – Facilitadora da Rede Electi e Educadora com larga experiência no setor. Revisado por equipe de Comunicação Electi.

Você também pode gostar
Comments