Rotatividade do corpo docente: tudo muda rápido. Até mesmo a equipe. E agora?

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A rotatividade da equipe escolar tem um forte impacto no que diz respeito tanto à organização do trabalho pedagógico da escola, quanto ao que se refere à qualidade do ensino. Há um reflexo direto no desenvolvimento da aprendizagem dos alunos e consequentemente isso gera um reflexo sistêmico em toda a comunidade escolar. Felizmente, ao menos na rede privada de educação básica, a regularidade dos docentes foi classificada como média-alta ou alta em 58,5% das escolas da rede privada segundo o portal do INEP, ou seja, a rotatividade não tem sido tão alta como em outros períodos da história. 

Projetos pedagógicos bem sucedidos demandam ambientes estimulantes para o aprendizado assim como uma equipe de professores duradoura e coesa, segundo alguns especialistas. Já outros, nos fazem refletir sobre o quão bom poderia ser a renovação de professores na equipe escolar, uma vez que como em todos os setores da sociedade, tudo está em transição – até mesmo a educação – e num momento como este as únicas coisas que sabemos é que muitos conceitos do passado não atendem mais as demandas da nova era e o que servirá ainda está em construção, ou seja, ninguém sabe ao certo. O importante, é construirmos estes novos conceitos, juntos.  

Renovar não significa necessariamente trocar o antigo pelo novo.

Na Electi, acreditamos que qualquer um que queira, que esteja verdadeiramente disposto, é passível de renovação. Renovar faz bem, reenergiza o todo – as pessoas, os ambientes, os ânimos. E renovar não significa necessariamente trocar o antigo pelo novo. O campo do design, por exemplo, deixa claro para todos nós como é plenamente possível renovar ícones do passado como o Fusca ou mesmo uma geladeira ao estilo dos anos 60, trazendo-os com força avassaladora para dentro de nossas casas ou escritórios – modelos antigos em sua essência – porém totalmente condizentes com os novos tempos e necessidades da sociedade, cheios de atualizações que nos enchem os olhos de desejo – além gerarem um senso de pertencimento incrível em nossas vidas e corações. 

E qual o impacto no todo com esta transformação, ou seja, qual o papel inclusive de coordenadores e diretores da escola?

A informação está aí, disponível para qualquer um hoje em dia na palma da mão. Ao mesmo tempo que tem muita fonte ruim na internet também temos fontes interessantes de conteúdo – basta saber fazer uma boa curadoria. O volume de informatizações que virão pela frente tendem a assumir quase que todo o escopo de um(a) professor(a) “conteudista” de 10 anos atrás. Qual seria então o novo papel deste importante elemento na educação?  

Para nós, o papel do educador estará cada vez mais conectado a sua essência, que é facilitar o encontro entre o conhecimento, as relações e a construção de uma comunidade de sentido ao redor da escola. Habilidades que não estão em praticamente nenhuma organização e também que pouco se fazem presentes nos cursos de pedagogia, mestrados e doutorados em educação.

A escola pronta para abarcar a sua comunidade é a escola que compõe o sentimento de pertencimento e de sentido para os seus estudantes e famílias. E quando falamos sobre pertencimento, estamos falando da compreensão de que esse é um trabalho de todos os atores da escola: educadores, lideranças e colaboradores.  

A missão de co-criar um ambiente de sentido e pertencimento na escola vai muito além de fidelizar as famílias. Significa olhar para cada um dos agentes educacionais como construtores desse projeto. Um processo que a médio e longo prazo potencializa todo ciclo de aprendizagem, fortalece a identidade e a conexão das pessoas com o espaço e permite mais tranquilidade de autenticidade para a construção do projeto de cada escola. 

Que tipo de investimento faz sentido então no desenvolvimento do corpo docente? 

Em nossas conversas com pessoas em cargos de liderança em grandes colégios privados antenados com a transformação necessária nos modelos educacionais, temos observado um tópico recorrente: investir ou não no desenvolvimento e atualização da equipe? O risco parece grande já que uma vez um corpo docente bem diferenciado, aumentam também as chances de os mesmos serem abordados por concorrentes com propostas, por vezes financeiras inclusive, a qual não podem ser cobertas (ou por princípios, nem deveriam) pela escola que mais apostou em tais profissionais. 

Um líder educacional sabe que muitos dos fatores que motivam os professores a permanecer podem não estar ao seu alcance. Entretanto, para mantê-los satisfeitos com o trabalho pedagógico propriamente dito, há muitas iniciativas que você pode adotar e que, certamente, contarão a favor da escola quando eles pensarem em mudar de emprego. 

Alguns diretores de colégios privados tem nos relatado que um dos resultados mais surpreendentes que colheram, após a equipe Electi formar suas equipes em facilitação, foi exatamente perceber que o clima organizacional melhorou de tal forma que os professores passaram a sentir ainda mais orgulho de pertencerem a esta comunidade escolar – com cada vez mais sentido e práticas inspiradoras, que geram uma conexão além do convencional com os estudantes e até mesmo com demais colegas de trabalho.

Em outro caso, uma pessoa em cargo de liderança não apenas nos relatou que isso também ocorreu em sua escola, como um ou outro professor que pediu demissão não estava mesmo disposto a se reinventar e que apesar de um ótimo trabalho, percebia que já não estava mais tão feliz com os rumos de renovação deste colégio – e tudo ficou bem, para todas as partes. Nada melhor do que as verdades na mesa para que o equilíbrio se restabeleça, não é mesmo? 

Questões inter geracionais precisam ser fortemente consideradas pelos gestores das escolas. De acordo com a pesquisa da Cia de Talentos, as gerações Y (nascidos entre 80-95) e Z (96-2009), valorizam cada vez mais o ambiente de trabalho e o propósito ao qual ele se propõe do que salários mais altos e ótimos benefícios – diferentemente das gerações X e anteriores, ou seja, os nascidos antes de 1980. Além disso, segundo uma outra pesquisa recente, 74% da geração Z preferem uma comunicação face a face do que por qualquer meio digital – sim, exatamente a geração que cresceu com um smartphone na mão, teclando nas redes sociais e app de mensagens instantâneas. Esta é uma constatação bem intrigante, mas felizmente para o bem: enquanto muitas escolas estão bem preocupadas em se equipar com a mais alta tecnologia disponível, os novos profissionais do mercado declaram que precisam de contato humano!

Investimentos no corpo docente e liderança escolar que começam a fazer cada vez mais sentido levam os educadores e gestores para um novo cenário onde o coletivo e a colaboração imperam. Atenção: teoria aqui é bem diferente de prática! ; )

Ações conjuntas, mentorias em pares – tanto com outros professores como entre colegas que possuem papéis e responsabilidades diferentes na escola – o surgimento do líder facilitador no contexto escolar são alguns exemplos que visam aumentar o comprometimento e satisfação com o trabalho e são iniciativas que encantam todas as gerações – desde os mais experientes no setor da educação até mesmo os mais novatos e cheios de energia para entregar o seu melhor aos estudantes e suas famílias.

Benefícios de se investir no desenvolvimento humano e relações da comunidade escolar: docentes e gestores educacionais

Ao engajar seu time, em todos os níveis na sua organização escolar, todos ganham: colaboradores mais realizados transcendem alegria e gratidão ao seu trabalho, ao mesmo tempo reinventam a sua prática e resgatam o interesse dos estudantes pela aprendizagem. Inevitavelmente, isso se reflete no clima organizacional. Aos refletir nestas questões, a família, presente ou não no dia-a-dia percebe benefícios por vezes intangíveis a olhos nus.

Em outras palavras, professores felizes refletem na felicidade dos coordenadores que por sua vez reclamam menos e agem mais – também felizes e gratos por fazerem parte de sua comunidade. Equipe docente feliz reflete nos demais colaboradores, que permeiam um ótimo clima organizacional e de pertencimento por onde passam. O impacto é pra lá de sistêmico: Equipe escolar toda realizada e com clareza de propósito, assim como as famílias, refletem diretamente no equilíbrio financeiro da instituição de ensino. Ou seja, é um ganha ganha para todos os agentes envolvidos.

Na dúvida de por onde começar? Leia a reflexão do Bruno Kibrit sobre “Inovação no contexto educacional: Começamos por onde deveríamos?” e tire suas conclusões. Se puder compartilhá-las conosco, será de grande valia!

Vamos juntos construir o novo, zelando e honrado nossa ancestralidade? O que sua escola tem feito a respeito neste exato momento? Conte para a gente!

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