Ser ou estar facilitador?

5 minutos para ler

Existem algumas transições de carreira que trazem a necessidade de praticamente começar do zero, como deixar de ser advogado e virar organizador de eventos ou vice-versa, mas algumas vezes essa reinvenção completa não é obrigatória, por exemplo um educador físico infantil se tornando treinador de futebol num clube, já que, como diria Tom Jobim, “a base é uma só”. Mas será que para migrar o meu Eu Facilitador para o online eu tenho que descobrir todo o processo de novo?

É nítido que, ao nos depararmos com um processo de mudança, precisamos aprender muita coisa nova, e que não adianta só realizar um processo mecânico de transferência de tudo que já foi criado sem o devido cuidado com o conteúdo. O possível árduo processo de transformação pode fazer com que acreditemos ser necessário recomeçar, e que tudo o que já foi desenvolvido, vivido, experienciado e aprendido não vale de nada. Essa não só é uma visão que aponta para um caminho mais pedregoso do que necessário, como está incrivelmente distante de ser uma verdade absoluta.

Isso está diretamente relacionado às principais características de um facilitador de aprendizagem, e em quais pilares ele se baseia. Toda compreensão tácita que o facilitador carrega consigo tem nome, nomeações essas que deveriam ser trazidas à tona, colocando luz sobre as ferramentas, métodos e premissas que a sua facilitação utiliza. Focando então em como transpor o vão entre conhecimento e prática, a transferência dessas ferramentas, já previamente nomeadas, para o online é descortinada à sua frente, potencializando o processo de educação virtual.

Acredito que algo que ajudaria a clarear algumas ideias seria entender que a facilitação prioriza a troca, e não o contato físico, o que pode ser alcançado através de qualquer forma de comunicação. Para esse propósito, gostaria de trazer um pouco sobre os pilares da Electi, assim como algumas teorias já conhecidas para visualizarmos melhor esse processo.

8 pilares: a base da sua conexão

Temos muito orgulho da construção dos pilares Electi, e entendemos que eles influenciam cada pessoa envolvida num processo à sua própria maneira, então vão aqui algumas considerações de como fazemos, e porque essa é a base da nossa facilitação, tanto no presencial como no virtual, compreendendo que essa não é a única forma de trabalhar e conectar nossos pilares, mas sim a que fez sentido neste momento de explicação, e que cada facilitador tem a sua forma de explorar a simbiose entre eles (os pilares estão em negrito).

Escutar para conectar pode parecer impossível virtualmente num primeiro momento, mas vale lembrar que o processo de escuta é feito com todos os sentidos, e que, se um fica prejudicado pela distância, temos ainda outros 4 para serem colocados em ação, ou seja, foque no que é possível se utilizar e atue com base nisso, e não se lamentando pelos que não temos acesso em determinado ambiente. 

Essa escuta é fundamental para fazermos a leitura de grupos e seus integrantes; que pode ser feito através de questionários, checagens coletivas de como está o processo, ou pedindo feedback para as dinâmicas, seja através da forma escrita ou falada; podendo assim estarmos certos de que o fluxo de energia esteja fluindo como esperado; seja ele no sentido de aumentarmos ou baixarmos a agitação do grupo; para manutenção da presença ativa e responsabilidade de todos os envolvidos no processo, que esperamos que estejam imersos para melhor aproveitamento da aprendizagem ativa proposta pelo facilitador.

Com essa base fica muito mais fácil planejar, olhar, sentir e planejar tendo em conta os novos entendimentos do grupo no decorrer do seu desenvolvimento, buscando melhorar  relacionamento, afeto e comprometimento do educandos entre si e com o facilitador que os acompanha, gerando um ambiente emocional positivo vinculado a pertencimento e acolhimento do coletivo, facilitando assim que seja alcançado com facilidade o equilíbrio de poder, através da vulnerabilização do facilitador, que se coloca mais facilmente em posição de igualdade com os educandos.

Quem se utiliza de metodologias mundialmente difundidas, como a Teoria U e o Design Thinking  por exemplo, também fica abarcado dentro dessa linha de raciocínio, e vice-versa quem sabe, já que o que propomos aqui é sempre olhar para dentro no sentido de se reconhecer, para que possamos abraçar o que nos cerca, e auxiliar a caminhada coletiva de um grupo ao invés de diversos indivíduos que caminham juntos, migrando, como diria Otto Schammer, do ego-system(eu) para o eco-system(nós), tendo sempre como verdade que a partir do desenvolvimento do todo, cada indivíduo pode absorver tudo que for interessante para si desse processo, levando cada um para o seu melhor eu possível.

Você também pode gostar

Deixe um comentário