Tipos de perguntas usadas na facilitação

5 minutos para ler

No meu artigo anterior trouxe uma reflexão sobre a importância da pergunta como um poderoso instrumento de abertura, descoberta e autoconhecimento. Abordei também sobre a importância da intencionalidade da pergunta como elemento potencializador em uma facilitação de grupos. Hoje gostaria de continuar a discorrer sobre o poder das perguntas e apresentar alguns tipos de perguntas, que nada mais é que uma classificação das perguntas pelas suas características.

Pergunta sugestiva e indutiva:

Ao utilizar-se desse tipo de pergunta o facilitador terá alta probabilidade de enviesar e limitar as possibilidades do grupo. Serve para saber o posicionamento do grupo em relação a uma colocação ou opinião do facilitador, ou para direcionar uma ação do grupo no caminho que parece fazer mais sentido para o facilitador.

A participação opinativa do facilitador geralmente ganha eco para o grupo, seja pela confiança de que o facilitador está vendo o desenvolvimento da facilitação de uma perspectiva privilegiada e/ou pela estrutura de poder que confere ao facilitador nesse tipo de situação.

Facilitadores podem emitir a sua opinião, alertar para riscos e compartilhar conhecimento. A questão que é a frequência desse papel precisa ser ajustada e apresentar-se com raridade, considerando o papel do facilitador como aquele capaz de facilitar a construção para que emerja do coletivo para o coletivo as diversas opiniões, alertas e conhecimentos produzidos.

Ao colocar-se de maneira mais afirmativa com o grupo é importante que o facilitador comunique esse movimento e seja capaz de vulnerabilizar a sua própria argumentação, categorizando-a como mais uma, entre as que foram trazidas pelo grupo. Nesse sentido, a pergunta indutiva ou sugestiva, além de conter a opinião do facilitador, corre o risco de parecer e apresentar-se para o grupo como maneira de construção coletiva, sem que o mesmo perceba que está “contaminada” pela opinião do facilitador.

Pergunta Aberta:

São perguntas que visam a exploração, investigação ou provocação por parte do facilitador. Tem como característica possibilitarem um número muito grande de respostas, de caráter dissertativo. Normalmente exigem uma energia maior de quem está respondendo uma vez que a resposta precisa ser construída a partir do seu próprio repertório.

Exemplo: O que vocês acham do sistema de saúde público no Brasil?

Pergunta Fechada:

Perguntas fechadas têm como principal característica um número limitado de respostas, pode ser uma dicotomia de sim ou não, mas também uma escolha entre um lista pequena de possíveis respostas.

Exemplo: Vocês consideram que a empatia faz do processo de escuta ativa?

Pergunta Espelhada:

A pergunta espelhada pode ser usada para devolver a pergunta o grupo ou indivíduo, fazendo com que ele se escute e possa validar ou revisar seus argumentos. Também serve para garantir que o facilitador entendeu de forma consistente o que foi colocado pelo grupo ou indivíduo, nesse segundo caso é importante o facilitador espelhar o que foi dito, porém com outras palavras. 

Exemplo: Você me disse (repete com as mesmas palavras), é mesmo o que quis dizer?

Pergunta-chave:

É a pergunta capaz de gerar reflexão potente e que ainda desconhecida para um determinado grupo ou indivíduo. A pergunta-chave nasce do processo de escuta e de um instante em que o facilitador faz a conexão do que ouviu com outros vários elementos que surgiram no processo de facilitação para chegar em uma hipótese que ele mesmo entenda ser algo valioso e sensível.

Costumeiramente, a pergunta é acompanhada de uma reação de surpresa ou de silêncio do grupo e não precisa ser respondida naquele instante, mas fica em aberto para cada um digerir. Trata-se de uma contribuição bonita, sensível e poderosa do facilitador para o grupo e precisa ser elaborada a partir de uma ideia de verdade (ter coragem de perguntar exatamente o que se quer perguntar), com amor (garantir que a intenção da pergunta é o enriquecimento do outro e não o ego do facilitador).

A combinação do reconhecimento da importância da pergunta na facilitação, a consciência sobre a intencionalidade da pergunta e a definição do tipo de pergunta mais adequado para o momento possibilita a construção de um ambiente aberto, livre e participativo, ao mesmo tempo em que suporta o facilitador e o grupo na tarefa de desenvolverem as suas competências e atingirem seus objetivos.

A potência das perguntas não se limita à facilitação, são diversas situações e contextos em que a pergunta abre um campo de conexão, interesse e entusiasmo. E segundo um experimento realizado pelo psicólogo Arthur Aron em 1997, até mesmo são capazes de fazer pessoas se apaixonarem.

Para terminar, não posso deixar de fazer uma pergunta, o que você achou dos elementos  apresentados neste artigo para fortalecer suas perguntas em uma facilitação? Nos acompanhe nas redes sociais e saiba mais ! Ou se inscreva em nossa newsletter na home do blog!

Você também pode gostar

Deixe um comentário